quinta-feira, 1 de março de 2012

Tá na hora de pegar o trem.

Quer saber? Eu pego busão sempre que preciso sair. Raramente consigo uma carona com alguém, raramente. Busão lotado, meio dia ou meia noite. Volto pra casa andando se for preciso, mesmo que longe. Ando sozinha... Mas não ando sozinha porque sou grandinha não. Ando sozinha há muito tempo, de lá pra cá, fazendo tudo que é preciso. Tenho deveres, e não falo de deveres escolares... esses são os de menos, mais fáceis. Tenho deveres como filha, como irmã, como namorada e como amiga. Peço desculpas quando sei que to errada, mesmo que isso demore, porque aprendi a engolir o orgulho. Engolir o orgulho pra pedir uma ajuda, um dinheiro, uma carona. Sempre tive que correr atrás de tudo que eu queria sozinha, ninguém vai fazer por mim se eu não fizer. E mesmo fazendo tudo sozinha sempre, nunca desisti de pedir uma ajuda, já sabendo que será recusada. Eu estudo numa escola com mais mil alunos, quarenta alunos por sala, três ou quatro salas por ano. No total é um professor bom a cada cinco. Três brigas por semana. Uma disputa sem fim. Muitos corres, altas fitas. Nasci num bairro bom, morei num bairro ruim, vim parar em um bairro melhor mas num apartamento apertado. Meu cachorro dizem que é poodle mas tá mais pra vira-lata. Minhas roupas não são de marca, nem meus sapatos. Não vivo mal, mas não vivo na melhor. Não dá pra chamar meus amigos pra virem no meu apartamento porque não teria absolutamente nada pra eles fazerem aqui. Meus rolês eram na base da derrota. Qualquer coisa ta bom, até uma volta na orla. E eu sou feliz quando dá, saca? Sou feliz quando não tenho problemas em cima de mim, quando não ouço gracinhas vindas de alheios, quando não me enxem o saco. E quando tem essas merdas ai, sou normal. Fico na minha, vivo na boa, ignoro a maioria das coisas e grito, brigo, retruco, quando necessário. Porque, realmente, ninguém me disse que viver seria fácil. E eu odeio coisas fáceis.

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Ninguém nunca ouviu da minha boca nada negativo sobre ti. Se isso não der certo, ninguém vai saber me ajudar a te esquecer.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Cada macaco no seu galho.

De estar me perdendo. De estar te perdendo. De estar perdendo tudo em todos os cantos do quarto. De estar perdendo todos os jogos e apostas. De estar perdendo amigos. Perdendo respostas. Perdendo a hora. Perdendo o lugar. Por eu estar perdendo o lugar no mundo e tentando incansavelmente encontrá-lo. Perdendo a linha, a estação. Perdendo tua voz no telefone. “O que você disse?”. Perdendo a paciência. “Deixa pra lá”. Perdendo a ré. Não dá pra voltar. Por estar me perdendo e querendo achar. Por perder a causa e o silêncio. Não lembrar o que ia falar. Supostamente satisfeita então? Talvez sim, talvez não. Talvez um gato em cima do muro, talvez um muro desabado no chão. Sem miado. Sem gato. Sem opinião. Talvez o mundo todo caindo aos pedaços, despedaçando, quebrando galho por galho e cada um no seu. Eu no meu, você no teu, outras árvores de outras cidades e o mundo caindo ao redor. Assim como o gato que não miou, não pulou do muro, não decidiu o lado ao qual desejava ir. Não desejava nada, só ficar em cima do muro. E você vai ficar ai? No galho, na arvore, na cidade? E eu aqui. De estar perdendo tempo. Por não decidir se vai ou se fica. Por não saber o que quer. Olhar outros macacos em outros galhos.  

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Diário aberto 03.

O último foi escrito em 2010.

Não tenho mais medo de decepções. Preparei meu exército, minhas defesas e até os lencinhos caso eu precise derramar uma ou duas lágrimas. Mas é isso. Uma ou duas lágrimas, no máximo. Também não me comovo mais com história, não as dos livros que leio mas as que ouço da boca de colegas meus. Eles falam, eu os ajudo quando posso, ouço, até aconselho, mas não me comovo. Não me envolvo. Não por história.
Não falo mais tudo que acho por aí, engulo algumas coisas e guardo, pra guardar algum ressentimento, pois descobri que algum ressentimento faz bem. E mesmo guardando algum ressentimento quero tatuar "No Hardfeelings" em algum lugar do corpo. Minha familia é simples. Não é pobre, não é rica, não é importante pro mundo, nem inútil. É só simples. Mãe e pai trabalhadores e divorciados, avó cuidadosa, tio/padrinho homem forte, rala muito, cria o filho, cuida da esposa, da sogra, da vida. Ninguém por aqui fica se exibindo, mostrando o que tem, o que deixa de ter, o lugar pra onde foi, ou pra onde gostaria de ir. Cuidamos só do que é importante: "Você está bem?", "Estou.", "Então está tudo certo".
Eu costumava falar muito com todo mundo, hoje não falo com quase ninguém. De uns tempos pra cá passei a achar as pessoas meio insuportáveis. Meio infantis demais.
É como se eu ouvisse as mesmas piadas todos os dias. Os mesmos conselhos. As mesmas respostas e as mesmas reclamações. Boring. Com excessões.
Até umas semanas atrás eu tinha esse pensamento de que eu deveria dar uma chance pra amizades passadas. Que um dia por mes ao menos deveríamos todos nos reunir e fingir que somos felizes. Mas a realidade, é que com aquela T eu nunca mais conseguirei sair. Nojo demais.
E não é que eu a odeie, jamais. Senti raiva por um tempo mas foi pouco. Eu desejo tudo de bom pra guria, claro! Ela não matou ninguém afinal. Ela foi ela mesma, fez o que eu já devia suspeitar que faria. O problema é que depois do feito eu descobri que não gosto do que ela realmente é. Não é o tipo de pessoa que eu quero por perto, que eu apreciaria o contato. Então 'Fuck It!', no estilo mais hardcore(no), que ela tome no cu com a personalidade de merda que tem. E todas as pessoas iguais a.
Volta e meia me pego pensando o que eu quero ser e, falta exatamente um ano pra que eu tenha certeza. Gostaria(numa vontade alucinante) de entrar pra política. E penso mesmo em fazê-lo algum dia. Mas sempre volto pro mesmo sonho: Jornalismo.
Agora no meu ultimo ano de colegial, me pego num daqueles momentos cruciais da vida. Em que você deixa uma fase e parte pra outra. E eu estou louca pra próxima.

Quero ser eu, ser minha, com meu dinheiro, minha profissão... e a pessoa que vai me levar pra praias do nordeste na Lua de Mel e separar nossa renda pra que a gente possa viajar sempre. A pessoa que vale a pena.

Obs: Respeito continua sendo a LEI.

Destrancada

Constato quase todos os dias a existência de pessoas que ainda não conhecem nada do viver. Que existem, e só, em seu mundo particular, com pessoas selecionada, escolas, felicidades e confiança pagas. Notas verdinhas indo de uma carteira pra outra, só pra manter a pessoa em seu mundinho particular. Privê. 
Observo pessoas que não sabem fazer seu próprio lanche pra matar a fome, pegar um busão pra não se atrasar se não há carro, comprar da roupa mais barata se passar frio, conviver com pessoas mais simples caso tenha de cair na real. 
E é incrível constatar também, que as pessoas que deveriam mostra-las a realidade da vida, tampam seus olhos pro mundo sabendo que tão logo terão de deixa-las sozinhas, livres... aprisionadas. 
Eu não admiro jaulas, gaiolas, celas, nem aquários. Bicho que nasce pra voar não merece andar em cima de falsas madeiras o dia todo. Limitar alguém ao que queremos que esse alguém tenha e faça, por puro exibicionismo e egoísmo é uma das coisas mais mesquinhas que o ser humano é capaz. 
Por isso eu aprecio a verdade. Sempre, sempre a verdade. 
Porque a mentira nos mantém no lado bom da história, nos cega pra realidade que se passa, nos prende a algo que achamos conhecer e achamos ser tudo em nossa vida, mas não é. 
Portanto, e só pela verdade, te digo veemente: 

A porta, aquela ali, tá destrancada. 

Não tá "aberta", escancarada, porque eu não quero que você vá. Por mim ela fica assim do jeitinho que tá. Você pode sair se quiser, mas também pode ficar. 

Eu espero que você aguente os meus mil defeitos ou mais.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

E se você precisar.
Fecha os olhos.
Respira bem fundo.
Pegue seus vinte segundos de coragem...
e guarde-os pra outra hora.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Fogos de Artifício e um ano não tão novo.

Na cidade em que vivo, toda noite de réveillon, eu e minha família vamos até a praia e observamos a queima de fogos. Santos é um lugar maravilhoso, onde mesmo debaixo de muita chuva as luzes estouram no céu e iluminam o novo começo. É como um livro novo a cada ano, uma história com vários capítulos em que no final do ano(eu sempre) fecho, guardo no armário e abro outro, limpo, pra escrever uma nova história.
Quando eu chego na praia, nessas noites de "ano novo", costumo pular sete ondas com minha prima, jogar algumas rosas no mar, acender umas velas, tomar uma coca-cola bem gelada e sentar numa canga até as luzes se apagarem, quando é meia noite, pra novas luzes se acenderem. É como um intervalo de 1 minutos em que ainda(mentalmente) não é nem um ano nem outro. Os ultimos 5 minutos do ano que vai passar se mistura com 5 minutos do ano que virá e eles formam a ponte entre um ano e outro, um livro e outro. E quando os fogos de artificio estouram nós todos nos abraçamos e pulamos, erguemos nossas taças, brindamos o novo! O novo romance, o novo ano escolar, o novo emprego, o novo apartamento ou apenas o novo dia. Brindamos com esperança de que as coisas mudem, melhorem, que tudo seja sempre evolutivo.
Em 2011, ano que passou, eu constatei a minha falta de fé. Falta de fé em deus, falta de fé nas pessoas, falta de fé nas coisas e até em mim por algumas semanas. E na virada de 2011 pra 2012 eu reparei que minha falta de fé me deixou sem esperança alguma de que as coisas mudassem.
Esse ano houve um problema com os fogos de artificio, e justo no local em que eu estava, eles não queimaram. E aquela sensação que eu sentia ao ver os fogos queimando bem acima de minha cabeça, e me fazia as vezes chorar de emoção, por mais uma chance de fazer tudo de novo e acertar, não veio. Eu não pude sorrir e imaginar um novo começo, um novo ano maravilhoso, com coisas e pessoas novas. E quando eu olhei pra cima e me deparei com o céu vazio, aquilo me enxeu de vida, de certeza, de calor. Percebi que por mais que o ano seja novo, as coisas não precisam mudar. Porque dessa vez, pela primeira vez, esta tudo bem.


Feliz Ano! Feliz vida!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Pausa pra uma risada abafada

Eu to aqui, totalmente no escuro, uma aliança no dedo, duas ou três lágrimas desfeitas pelas bochechas, adoçando os lábios, que sentem sua falta. Tua boca é tão macia, tão doce, tão maliciosa, que me deixa uma saudade imensa quando não tá encostada na minha. Pausa pra uma risada abafada, um olhar pra baixo, pensando na imagem de. Você olhando pra mim de longe, de canto de olho, na mão a lata de cerveja, a lata de cerveja na boca. A cerveja cai pra dentro e eu cambaleio no mesmo lugar. Só um desequilíbrio. Uma falta de mim por um segundo ou dois. Talvez três, não sei, esqueço de contar. É sempre assim. Quando você tá tomando sua cerveja aí e eu tomando a minha de cá, morrendo de inveja de uma porra de uma lata de cerveja. Quero ser eu na tua boca. Refaço o pensamento, seria clichê demais dizer que. Quero ser eu descendo teu corpo, por dentro também, por fora, escorrendo no canto da boca, te satisfazendo, e ainda te deixando tranquila, assim, bem desse jeitinho que tu fica quado toma tua cerveja. Mas, first of all, quero pedir desculpas por sempre inventar esse monte de problemas e revirar histórias é que como você já deve ter visto. Sabe como é difícil admitir erros assim?. Eu faço história de tudo, dramatizo, nasci pra isso eu acho; nem sei. Ainda assim, nenhuma história me parece mais interessante que a minha boca tocando a tua boca e a minha mão tocando. Vamos deixar isso pra depois porque agora queria falar de algo mais romântico como. Aquele olhar que você me dá quando eu não consigo tirar a maldita panqueca da frigideira é intencional? Dá vontade de não tirar a panqueca da frigideira nunca. Nunca aprender. Jamais! Só pra você me olhar, e rir, e falar "ai essa minha criança...", se gabar, rir mais, me socorrer, tirar a panqueca e falar "Vai, coloca o recheio" como se eu ainda tivesse nove anos de idade ou algo assim. Romance, nosso romance, romance risonho e atrapalhado. Romance.
Quero dizer, meio confuso mas com esse texto eu queria dizer alguma coisa, só não consigo lembrar direito o que mas talvez seja que. "Às vezes te odeio por quase um segundo. Depois te amo mais. Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo. Que não me deixa em paz. Quais são as cores e as coisas pra te prender? Eu tive um sonho ruim e acordei chorando..."

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Talvez a pessoa certa

Perdi o ônibus e de repente to perdendo o tempo passar. Perdi o dinheiro no caminho e to perdendo o chão pra andar. Perdi o vento no rosto e to perdendo o Sol da manhã. Perdi o controle da televisão, as pilhas da câmera digital, o carregador do celular. Perdi meu emprego e to perdendo o bimestre escolar. Perdi minhas notas de cinquenta e minhas moedas de um real. Aquelas, aquelas que eu acho bonitas de olhar. Perdi a passagem e ja to perdendo o lugar. Perdi alguns costumes pelo caminho e alguns hábitos que... ainda bem, você me fez esquecer de onde deixei. Quem é você que me faz perder a vontade de fumar? Quem é você que me faz perder a vontade de dançar por horas numa balada sem parar? Quem é você que me faz perder o onibus enquanto penso em... Quem é você? Quem é você que me faz perder as respostas que eu sempre costumei guardar na ponta da lingua? Quem é você que me faz perder a vontade de discutir, e me da vontade de ficar só olhando você argumentar, contagiante. E... quem é você que me fez perder o resto do texto?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A tragédia de si

Tudo acontece quando você de repente se parte em pedaços. E com seus olhos caídos no chão, um em cada canto do quarto, você vê seu corpo despedaçado. Seu coração, logo ali no meio de partes de seus dedos e braços, ainda bate. O sangue tá em toda parte e o cérebro, amigo, o cérebro desapareceu. Você não sabe em qual parte de seu corpo você está, já que você agora é vários pedaços de si pelo chão. Você se sente em todas as partes, mas você não pode fazer nada com elas. Imóvel. Jogado. Despedaçado. Inútil. Amando.  É, chapa, amando.