quinta-feira, 26 de março de 2009

Engano

Todos os dias uma garota entra naquela sala, olha aquele livro, lamenta não poder levá-lo pra casa.
Todos os dias um garoto senta naquela sala, observa a garota olhar o livro, e lamenta não levá-la pra jantar.
Todos os dias aquele livro, fechado e calado em suas palavras escritas, que muito dizem mais pouco são ouvidas, lidas é o que são, observa no seu silencio frustrante o garoto e a garota naquela sala, e lamenta não saber o final daquela historia.
Todos os dias, e todas as noites o garoto daquela sala pensa em ver a garota.
Todos os dias, e todas as noites, a garota daquela sala pensa em comprar o livro.
E assim se passaram os meses, e a garota comprou o livro.
E assim se passaram os dias, e o garoto sem ver a garota, chorou.
E assim com o livro aberto, na última e monótona pagina, a garota sorriu.
Todos os dias o garoto pensava que seria sempre assim.
Todas as noites, a garota dormia, e não pensava em mim.
E eu o garoto termino assim...
Sem a garota, sem a sala, sem o livro, sem um fim.

terça-feira, 24 de março de 2009

Pra começar, do final.


Estive pensando, nesses últimos meses em que brigamos...

Não quero ser um aborto pra sua vida, nem ser uma vida pro seu suicídio.

O Maximo que eu posso desejar é ser uma lágrima em sua face,

e ser uma canção sem uma melodia... Sem uma melodia que insista que valho à pena.

Não quero ser exposta em paredes, nem tocada por consumidores, não quero ser estocada, embalada, vendida, usada,

nem sofrer uma queda, e quebrar, sem poder ser consertada.

Não quero ser uma pedra em seu caminho, nem uma roupa mal lavada, não quero que me compre presentes, não quero ser elogiada,

quero sentir você presente, ausente nem me falta nada, nada falta pra cometer o que me resta, o que me resta

e tudo aquilo o mais que você não quer que eu faça. Pare, por favor, eu lhe imploro, pare de tentar, e pare de se torturar, pra me ver sorrir,

não me ver chorar, não tenho mais lágrimas.

Não me resta mais amor por ti, meu bem, não se iluda, não me resta mais amor por mim, querido, a culpa não é sua. Não me restam roupas que me animem, nem maquiagem suficiente pra esconder

minha expressão. Nada que você disser vai distrair minha cabeça daquilo que ela realmente quer, meu corpo se leva sozinho pra topo de um prédio, onde você não vai conseguir me encontrar.

E se tudo der certo, você vai achar meu corpo bonito, estável, limpo, e sem mais sofrimento sentimental ou qualquer expressão de culpa, dor e ressentimento. Sem nenhuma expressão, na verdade.

Não quero te encontrar, pois quero você bem ai onde esta, vestindo suas roupas de marca, e passando seu perfume irresistível, que vem sendo tão resistível pra mim nos últimos tempos. Espero que você siga o seu caminho, meu bem.

Pois o meu eu perdi faz tempo, muito tempo.


Melissa