quarta-feira, 27 de maio de 2009

Inabalável

Quando você tomar sua decisão, espero que lembre de tudo que eu já te falei.
Quando você for me jogar na cara as contas passadas, e os elogios mal feitos, espero que se lembre de toda dor que você me causou.
Estou fria
Estou seca
Pensando melhor, sempre fui. Frieza, na pele, no coração...
Conte-me alguma novidade!
Não adianta me jogar essas palavras, essas eu já conhecia, essas eu já experimentei contra mim, e já me vi usando contra os outros.
Não, me desculpe, mas pouparei sentimentos agora.
Sinto muito mesmo(mentira, não sinto), mas não agradarei a ele, não agradarei você.
Agrado a mim mesma e é isso só oque me importa.
E se algum dia eu deixar e ser fria, a última pessoa que vai receber meu calor é você.
Sua única escolha é fechar a porta do meu quarto.
Me deixe sozinha.
Me deixe fria e seca chorando.
Me deixe pensando... me ame em silêncio.
Não quero ouvir seus protestos de amor, suas surras nos muros, seus xiliques de ciúmes.
Não pretendo secar suas lágrimas de dor ao terminar de ler esse texto.

Mãe, eu não sou você!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

''Vem aqui''

Pulei o muro de casa, sai correndo pela rua.
A chave estava trancada, a rua estava virada.
Meia volta, volta inteira, ponta cabeça.
Virei, ou não, não sei.
Talvez eu estivesse ainda na mesma direção,
talvez eu ainda estivesse dentro de casa, não lembro.
Segui, voltei, segui, voltei, voltei, voltei... segui?! Não sei.
Não sei pra onde estou indo, não sei se estou indo, não sei oque estou fazendo.
Parei.





É assim que eu fico quando se trata de você, de nós. Te perdi, tentando ME encontrar, e me perdi mais ainda quando isso aconteceu, você se esqueceu, e agora eu tento me recuperar.
E então, quando eu penso que me achei, eu persebo que te achei também, e me perco novamente.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ana Lúcia (para minha professora)

Ela parou e olhou.
Ela chegou, jogou as coisas, deitou, dormiu.
Pensou, sonhou, acordou.
Comeu, lavou-se e despertou pra mais um dia.
Trabalhou, trabalhou e trabalhou.
Voltou, jogou, deitou... não pensou nem sonhou.
Acordou, banho, trabalho, trabalho, mais trabalho.
Voltou, deitou, dormiu, acordou.
Trabalhou, trabalhou, trabalhou.
Voltou, não comeu, deitou, tentou dormir, não conseguiu.
Levantou, respirou, não pensou.
Saiu de casa, sem comida a dois dias sem comer.
Trabalhou, trabalhou, cochilou, foi demitida, chorou.
Na rua sua respiração parou, viu ele, e seu batimento recomeçou.
Respirou, coração pulou. Amou, amou, amou.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Naqueles tempos

Ele era um ovo.
Um ovo sem gema, sem clara, só a casca do ovo, firme, inabalavel.
Ele era um verme, um inútil, sabia tocar violão mas não tocava, sabia cantar e não cantava, gostava de pular mas não pulava, costumava respirar, respirar, andar e mais nada.
Falar e sentir era coisa para os fracos.
Ele queria que eu olhasse em seus olhos, mas se eu olhasse veria... nada, não veria.
E se eu olhasse, ele veria lágrimas, pra chorar tem que sentir, sentir é coisa pra fracos, não é mesmo?
Ele se sentia forte por não sentir, mas só porque ele não se permitia sentir, ele fugia, se ele se permitisse, ele sentiria, ele era o fraco da história, o verme inútil e oco.
O verme inútil e oco que eu amava naqueles tempos. Sim, naqueles tempos.
Ele se permitiu.
'O problema não sou eu querido, o problema foi você, agora é tarde'