quinta-feira, 17 de setembro de 2009

VAMOS GAROTA! REAJA!

Foram socos leves em seu peito. Esmurravam seu coração, tiravam seu ar. Gritos mudos ecoando silenciosamente pelas paredes do quarto.
É o momento em que você percebe que nada vai vir. Que nada vai voltar. Que ele não vai voltar. Ela, ela não vai parar. Ela vai sangrar, o sangue vai escorrer da sua boca, do seu nariz, do seu coração. VOCÊ QUER GRITAR. Mas não pode. Não.Pode.
Ninguém pode te escutar, é o seu momento, o momento da sua dor.
Ela percebeu que tudo que ela tinha percebido antes era nada. Era tudo mentira, tudo jogo, brincadeira. Crianças brincando de fazer amor.
Crianças brincando de amar. Crianças tentando não ser mais criança.
Crianças brincando com fogo. Fogo não é coisa pra criança brincar!
E ela/você derrama cada lágrima nas folhas esparramadas pela cama. O teclado a sua frente toca o único som que ela quer que ouçam, o som da dor, em jeito de música. ELA PRECISA BERRAR, berrar, beber, sangrar, voltar. ELA PRECISA VOLTAR. Mas ela não veio de lugar algum, e lugar algum agora é lugar bom pra que ela vá. Ela quer sair, beijar, beijar, beber, beber... beber. Beijar!
E depois sim, ela vai precisar voltar.
Mas que droga! O sangue é tão doce... é tão doce! Ela quer beijar, beijar bocas e morder bocas até fazer sangrar! Ela quer ver sangue escorrendo, assim como o sangue escorre dela. Ela sangra e seu sangue é tão negro. É tão negro. É tanto sangue.
Agora... ela/você/eu vai tomar um banho, lavar o sangue, sair, beber, e não vai voltar.
Não hoje.


Acabou, e durou tão pouco, e foi tão frio, foi tão eu.
Mas acabou! E nada muda isso, nada muda, nada volta.
Se voltar... não sei. Já não sei mais de nada. Percebi hoje que o mundo é um grande lugar pra pessoas de pequenos corações. E que a distancia não é de mentira. Mas sei que cada um que passa na minha cabeça, vai ser lembrado, algum dia. Ele com toda certeza vai. Com toda certeza.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

As tais borboletas


Procuro pedaços de você em meu quarto.
A luz ta apagada caso você queira entrar sem ser notado. Também pelo fato de que estou com preguiça de acende-la. Mas enfim, esta apagada.
A porta você já sabe como é, apenas puxe, ela abre, você entra.
Procuro por você no guarda-roupas, quando escolho alguma peça e lembro de algum dos poucos dias que te tive por perto.
A praia ta vazia e o mar ta calmo, venha dar um mergulho, vem hoje, venha rápido.
E quando quero chorar, seguro cada lágrima.
Pois procuro por você em cada sorriso que eu dou, e encontro, ou acho que encontro, as vezes.
A boca esta aqui, a vontade também e toda a alegria que eu puder juntar.
Te procuro em cada música e cada palavra.
Te procuro, procuro... e sempre procuro. E encontro, várias vezes, mas são apenas vestigios.
Sinto calafrios, talvez sejam aquelas tais borboletas que falam... mas me parecem mais com pequenos choque gostosos pelo corpo. É a cada toque seu... a cada beijo e cada olhar.
Esses calafrios me fazem amar cada palavra que você diz, e cada respiração sua.
Sua respiração forte e profunda.
Te procuro a cada expirar e inspirar que dou.
Me salve, por favor, não aguento mais procurar.

Silêncio

Ela não olhou em meus olhos quando disse que estava partindo. Acho que isso me fez não acreditar em tudo que ela falou mas... por um lado, ja fazem anos e ela ainda não voltou. E eu ainda não acredito, em nada.
Sei que ela foi embora, mas isso ela não precisou dizer... não assim.
Mas... é que se ela não olhou em meus olhos, como posso saber se tudo que ela disse era verdade? Vou viver e morrer com a duvida?
Eu lembro das palavras exatas que ela usou...
Ela olhava para os seus sapatos rosa claro, sua bochecha estava corada de cabeça baixa apenas dizendo... ela disse "Eu queria abraçar você todas as manhãs", pude ver, mesmo ela com a cabeça baixa, um sorriso se formar no canto da sua boca..."eu queria poder beijar você, abraçar você, ver você, sentir... tocar... amar você!" suas mãos tremiam, e eu não entendi o motivo... ela não me olhava, não sabia se ela estava brincando, se estava mentindo.
Eu não disse nada, e no meu silêncio, ela se foi. Se foi e não voltou, não por agora... três anos se foram também, mas posso esperar... ela deve voltar um dia certo?
Errado.
Maldito silêncio que te deixou ir embora. Maldito olhar, maldita hora que não passa... maldito onibus que não chega. Maldita garota com que sonho todo dia. Todo dia. Maldita.