quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ato falho, casamento.

- Ei! - disse ao ver que ele abria os olhos. O cigarro na mão, a fumaça no carro. Vidros marcados com dedos. Pingos de chuva na parte externa, pingos de suor na interna. Um nojo. - Posso te contar uma coisa? - perguntou.
- Tanto faz! - ele disse grosso, passou a mão nos olhos, empurrou o banco mais pra traz, ajeitou-se, estralou as costas, pescoço, braços, dedos. Um horror.
- Não te amo! - ela disse rindo histérica. Ele olhou com cara de tédio.
- Drogadas... - Pegou a carteira, bebeu um pouco da cerveja já quente da garrafa num canto, tirou 50 reais e colocou dentre os seios da mulher, acabada. Um nojo.
- O combinado era 100! - ela disse ainda rindo, bebada. Um horror.

- Tanto faz! - Um nojo, um horror, um grosso.


Em casa, mais tarde, bem tarde, quase cedo.
- Ei - ele disse, pra sua mulher, que usava a aliança no dedo e criava dois filhos com ele. Dois garotos, dois chatos. Dois horrores. - Posso te contar uma coisa? - perguntou lembrando de mais "cedo", no carro.
- Tanto faz! - ela disse desinteressada.
Ele riu, debochando de si mesmo.
- Não te amo! - ela mal se moveu, já sabia daquilo. - Mas tanto faz né? - ele falou, puxando ela e beijando-a. Um nojo.

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