sábado, 13 de fevereiro de 2010

Finalmente

- Vadia, como ela pode fazer isso? Ficar com meu ex? - xingava, chutava latas de lixo, batia em postes. Estava furiosa. Queria ter dito tudo que eu sentia de verdade na cara dela, olhando em seus olhos. Ela era pra ser minha amiga, e pela segunda vez tinha feito aquilo.
Senti-me totalmente traida. Totalmente angústiada.
- Chega Sofia! - Gritou minha amiga de verdade, que estava ali do meu lado, segurando as pontas. - Volta lá! Sua noite não pode terminar assim. Ele não te interessa mais, ela errou, fala isso pra ela. E vai atrás de quem você quer agora... esquece o que passou. ESQUECE. Vai!

Fechei meus olhos.
Abri meus olhos




Eu não sei o que eu devia sentir naquele momento. Nenhuma traição doía, nenhuma má noticia tinha importância. Nada merecia mais minha atenção do que aqueles lábios.
Tocavam os meus me fazendo suspirar, seus braços musculosos envolvendo minha cintura enquanto nossos olhos fechados recebiam mensagens da mente, querendo se olhar.
E quando o beijo cessava, por um pequeno momento que fosse, nos olhávamos.
As vezes, o sentimento transmitido no beijo era tão maior que o beijo em si, que nossos olhos permaneciam fechados por algum tempo, ainda sentindo mesmo sem beijar.
E vez ou outra sorrisos e risos se misturavam a abraços e mordidas. Caricias na nuca e apertos pelo corpo. Puxões, beliscões, marcas. Beijos, sorrisos, risos.
Olhos fechados, coração palpitando alto. Suspiros.


Finalmente, finalmente...

2 comentários:

  1. Queria poder compreendê-la melhor. O que vejo é tão pouco, tão embrionário; por aqui é difícil de se ler o código genético do teu pensamento.

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  2. Você realmente escreve muito bem, Continue assim e será um ótima colunista!

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