segunda-feira, 31 de maio de 2010

Borboletas

Preciso vomitar, botar pra fora, toda essa angústia que tem revirado em meu estômago feito mil borboletas loucas para saírem, loucas para voarem em um espaço maior. Loucas para serem borboletas de verdade e não só sentimento estocado.
Tenho guardado todas essas lembranças, sentimentos, medos e elas ficam revirando dentro de mim e sussurrando em meu ouvido palavras soltas que nunca me deixam saber que rumo devo de fato tomar.
Fico em dúvida entre ir e vir, não sei se falo ou calo, não lembro de esquecer e não esqueço de lembrar.
Você é uma borboleta que parou dentro de mim. Não voa, não se move, não respira. Ficou parada, como congelada em algum lugar por aqui, que eu não sei direito definir onde. Você não morreu aqui dentro, só parou.
Parou pra ficar. Parou pra manter seu silêncio enquanto vivo minha vida mas sem partir. Ficar parada observando cada gesto e cada outro sentimento que surge em mim e pra mostrar pra todas as outras borboletas que você está ali pra ficar, esta aqui pra ficar, e afastar todas as outras borboletas de dentro de mim, afastar qualquer sentimento que tente tomar seu lugar, ou apenas estar aqui junto de ti.
Você não tem me dado chance de sentir outras coisas por outras pessoas mas também não cresce dentro de mim nem some. Por que você simplesmente não desaparece?
Por que você não vai embora e me deixa aqui?
Eu não posso seguir com você parado dentro de mim.
Esse sentimento que afasta tudo e todos de perto. Você é a pedra no meu caminho.


Então agora vou enfiar meu dedo fundo na minha garganta. Deixar essa sensação horrível me invadir e colocar pra fora todas as borboletas daqui de dentro, inclusive você. Vou vomitar todos esses sentimentos e selecionar BEM os que deixarei entrar.
Você não vai ter mais passe pra dentro de mim. DE MANEIRA NENHUMA.
Nem das mais bonitas, nem as mais simples, muito menos as mais sujas.
Você não entra mais aqui. Você não pertence mais ao meu coração, nem ao meu estômago e muito menos à esse emaranhado de borboletas e sentimentos aqui dentro. Chega de você.
Vou vomitar você, vou por você pra fora. Vou tirar você a força de dentro de mim.

domingo, 30 de maio de 2010

Palavras que saíram do vazio de minha alma

As pessoas esperam que eu seja importante e que eu corresponda às expectativas que elas criam sobre mim. Mas as pessoas esquecem de me esclarecer quais são essas expectativas e o quão importante devo ser.
Não sei o quão importante devo ser. Não sei o que esperam de mim.
Só sei o que sou e me desculpe se não sou o que você esperava que eu fosse.

Sei que posso ser muito importante pra alguém e que algum dia, alguma pessoa vai me olhar nos olhos e ver no brilho dos meus olhos um mundo inteiro.
Sei que algum dia vou ser tudo pra alguém e que esse alguém vai ser tudo pra mim.


SEI QUE AMO MUITO, e SEI que errei DEMAIS.
Sei que amar quem não merecia foi meu MAIOR erro. E sei que foi perda de tempo.
Mas também sei que foi aprendizagem, experiência.

Vou continuar errando, até que eu aprenda tudo que tenho pra aprender.

sábado, 29 de maio de 2010

"Enferrujou"

Feche seus olhos, o que você vê?
Quando fecho meus olhos eu vejo você.

Você foi pra mim a ponte pro amor eterno. Me amarei eternamente depois de ter te amado tanto.
Depois de você, percebi que não quero mais festas e que não preciso de bebidas.
Quando você foi embora vi, que apesar de meu coração ficar quebrado, ele ainda estava em fase de crescimento. E que ele ainda vai se fortalecer, crescer, e amar muito mais.
Depois de você, quero outro alguém.
Não quero vários, não quero muitos, não quero por um só dia, nem por dois meses.
Quero alguém que venha pra ficar. E que não vá embora.
Te amando e errando aprendi que dúvidas nem sempre devem ser questionadas. Aprendi que as vezes, é melhor duvidar pra sempre do que descobrir verdades terríveis e perder o que se tem.
Depois de você entendi... Não se deve mesmo perdoar. Porque quem erra tem que pagar pra só então se arrepender e sentir o erro dentro de si. Ver o que perdeu e NUNCA MAIS repetir o mesmo erro com outro alguém.
Depois de você vi que nada é mais importante do que eu, pra mim.

Passei por cima de todo meu orgulho pra ir atrás de ti e descobrir que você não me reconhecia mais e que eu também não conhecia mais você; Você muda muito, mas continua o mesmo.
Você é uma pessoa falsa. Que usa de mascaras e situações com cada pessoa.
Ouvi na sua voz o que eu te ouvia fazer com todas as outras e entendi que eu sou uma entre todas as outras. Sou só mais uma pra você.
E entendi também, ela.
Porque, eu me recupero rápido, eu sei disso, mas ela não.
Entendi que ela sofreu muito ao ouvir sua voz e ver seus olhos rejeitando-na.
Entendi que quando você beijou-a dizendo que "tinha decidido e que queria ficar com ela" e depois disse o mesmo pra mim, e de fato ficou comigo,  ela deve ter se sentido tão mal. Ficado tão brava.
Eu não estou brava. Não.
Também não estou mal, pelo contrário.
Amanhã faz um mês desde que descobri que minha vida só é importante pra mim, e que ninguém pode estragar ela. Nem você, nem o amor, nem ninguém.
Me sinto pronta de verdade agora.

 Mas não pra agora.

Não estou mais aqui pra você.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Platônico.

Um dia, em um show de uma banda qualquer, que não me lembro o nome porque não importa - nada importou aquela noite, além daquele garoto com a pulseira vermelha e os lábios secos - avistei tal garoto apoiado no balcão do bar enquanto os jogos de luzes iluminavam seu corpo em várias cores diferentes e seus cabelos caiam sobre seu rosto suado. Não pensei muito no que dizer ou o que fazer. Meu corpo simplesmente me levou até ele sem que eu pudesse pensar uma vez.
"Olá" - eu parecia tão estúpida tentando falar com ele, e faz tanto tempo que isso aconteceu, que já nem consigo mais lembrar.
Sei que nunca esqueci seu olhar, nem seus lábios, nem seus braços, nem a flor vermelha da sua tatuagem. Não esqueci a pulseira pra bebidas no seu pulso, nem o apelido do qual você me nomeou por uma semana, antes de me esquecer por completo, e também não esqueci seu e-mail, telefone, endereço, e qualquer outra coisa relacionada a você e a sua vida.
E foram só 15 minutos de conversa.
Não ouve um contato físico, uma aproximação, uma indireta.

Até hoje espero passar por você na rua e você me reconhecer.
Já nos vimos tantas vezes em situações diferentes e com intervalos distantes.

Platônico, é você.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sal, açúcar e uma pitada de masoquismo.

As pessoas costumam dizer que uma só chance basta. Mas basta?
Vejo agora a pouca coisa que me restou. E vejo que não me restou nada bom, e que, o que ontem eu admirava com brilho nos olhos e sorriso nos lábios, hoje me trás lágrimas e dor.
Pra que viver tudo isso, e continuar querendo vivê-lo, se sabemos que no final vamos chorar?
Por que só é vivido pra quem chora no final?

Dúvido que aquele seu romance barato do ano que passou, qual você nem lembra direito como começou, e qual você nunca derramou uma lágrima, você considera que viveu e aprendeu. Dúvido que aquele rapaz que te amou, e que não foi recíproco por você, acha o mesmo.

Só vive quem sofre no fim. Porque quem não sofreu, não vai levar NADA daquilo. Nenhuma lição, nenhuma boa ou má lembrança, nenhum sentimento, nada. Só vai sobrar o passado.
Aquele que vai ser lembrado como muito distante enquanto quem sofre, chora lembrando, como se tivesse acontecendo no momento exato em que é lembrado.

E eu sei... Eu sei que fui mais uma pra você. Sei que hoje já sou lembrada como um passado distante, mesmo quando faz apenas UM MÊS, desde que o tudo tornou-se nada. Eu vou ser isso, enquanto você continua sendo TUDO pra mim, e não sobrou NADA. Nada que eu queira guardar. Nenhuma foto que eu ainda queira ver sorrindo.
Você vai ser, assim como é, aquele que enquanto eu lembro, eu choro. Se não por fora, por dentro.

Fazer o que estou prestes a fazer. Tentar mais uma vez e insistir em algo que vai ser COM CERTEZA um erro. É colocar o revolver apontado no braço direito.
Não pra matar, porque um tiro no braço não é pra isso. Mas pra fazer doer, sangrar, chorar, ferir, e me impedir de seguir meu caminho e minha vida durante um tempo, até que a recuperação termine.
É prolongar mais o sofrimento.

Mas eu preciso sentir o revolver na pele, eu preciso ouvir o barulho do disparo, e eu necessito sentir essa dor absurda, sofrer esse acidente, e depois me recuperar.
Porque enquanto fica só eu e esse revolver nessa sala, nem eu posso sair, nem a bala dentro dela pode me ferir.
E eu cansei de não sentir nada, cansei do vazio.
Vai ter sangue escorrendo na noite de amanhã.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Desabafo

Não encontro mais rosto algum aqui pra olhar pra mim e apreciar minha depressão inconstante.
Alguns dizem que estou louca. Outros dizem que estou fazendo drama. Mas a maioria nem percebe minha mudança de humor.
Às vezes ainda percebo olhares pousarem em mim com aquela angústia sem brilho. Esse é o tipo de olhar que me atormenta a alma e me faz perceber que estou realmente ruim e que todos sabem, e os que eu acho que não sabem, apenas fingem não saber.
Uns são sinceros. Me dizem que estou mal, no chão, sendo pisoteada por cavalarias. Me pedem pra voltar, me pedem minha mão, querem me levantar.
Outros desistiram de tentar me ver bem. Apenas acompanham meu silêncio e se focam em minha companhia, apenas.
Não vou me isolar do mundo, porque estou nele e não há como ir pra algum outro lugar; não vou morrer, não agora, ainda.
Só vou ficar aqui, onde sempre estive, na presença de quem sempre esteve aqui, em silêncio. Eu só preciso desabafar. Me deixa desabafar com você?

Me sinto mal por ele ter partido e me deixado aqui pra trás. Por isso me joguei no chão e não pretendo levantar. Porque sempre que me estendem a mão, também me largam depois.
Já me acostumei com a ideia de que não haverá alguém segurando minha mão pra sempre.
Me sinto mal porque ele partiu e agora parece estar bem. Com ele bem não me restam mais esperanças. E quando ainda vem uma certa esperança dentro de mim, quero arraca-la do peito e da cabeça com força, pra ela nunca mais se atrever a voltar.

Não me lembro do gosto de seus lábios, não porque eram ruins, e não eram; são os melhores que já provei, pra ser sincera. Não lembro do teu gosto porque ele era o que menos me importava em você.
Mas eu me lembro bem do seu abraço, com seus braços firmes na minha cintura, me envolvendo completamente em si, seu corpo fechando o meu sem deixar espaços, suas mãos alisando minha cintura e barriga enquanto me abraçava... Eu podia sentir seus olhos fechando enquanto me sentia.
Eu me lembro do descompasso do seu coração. Quando eu deitava a cabeça sobre tua camisa branca - que eu de tanto puxar acabei alargando - e sentia tua vida ali.
Me lembro muito bem da sua voz. Sua voz é o que eu mais lembro, na verdade. Lembro-me ainda melhor quando ela era sussurrada em meu ouvido ou quando por ela, eu te ouvia gemer. Gemer baixinho, como quem não aguenta mais se segurar. Como quem quer fugir comigo pra qualquer lugar onde esteja só eu e você.
Não me lembro de todos os momentos, mas me lembro dos momentos mais cruciais em todos eles.
Me lembro de chegar perto de você no dia 13 de Fevereiro de 2010 (que eu considero 12, por ainda ser madrugada e termos estado no mesmo lugar desde as 22h do dia 12 mesmo), as 2h da madrugada, enquanto você tocava violão com um amigo meu e vários seus. Naquele dia eu estava brava, te chamei num canto, e entre olhares de raiva e angústia te beijei. Porque naquele dia eu tinha decidido transformar todo o ódio e racor que eu tinha guardado de ti por tanto tempo, em paixão. E funcionou, e me arrependo ainda.
Me lembro do dia seguinte, quando você de súbito, apareceu em minha casa e me chamou pra sair. Ficamos sentados por horas num mesmo lugar, falando e falando mais. E voltamos abraçados, e você me disse:
"Acho que não quero mais soltar de você, depois de tanto tempo querendo estar distante, só quero você aqui comigo."
Me lembro de quando, depois de me trair, você mostrou-se arrependido e me disse coisas lindas, e do como eu fui idiota de aceitar voltar com você. Ainda acredito em segundas chances, mas eu já te conhecia e deveria saber que no seu caso, duas chances não bastariam.
Me lembro do silêncio que ficou entre nós nesse dia.

Uma semana depois disso, lembro-me de me encontrar com você e a primeira coisa que você me perguntou foi "Que lenço é esse?" todo risonho, ainda não acostumado com meu jeito de vestir-me. Lembro-me que nesse dia, essa foi uma das poucas frases ditas. O silêncio voltou a invadir, mas dessa vez, uma invasão gostosa. Quase tentadora aos olhos de quem vê. Aquele silêncio de dar inveja.
Sentei-me do seu lado, sob o vento fraco que batia, fraco e gelado, enquanto o mar vinha calmamente batendo nas pedras, sem assustar nem crescer. Você olhou em meus olhos com aquela profundidade que só teu olhar tem por dentro. Não consegui sustentar teu olhar por muito tempo, apoiei meu queijo em seu ombro, olhando pra suas feições e todos os seus detalhes. Você continuou me olhando daquela maneira. E passamos a noite assim, enquanto carícias surgiam e beijos leves e delicados eram trocados.

Também me lembro de quando tudo começou a acabar. Foi no nosso aniversário de dois meses juntos.
Sei que foi naquele dia, porque eu já não sentia mais o mesmo fervor de antes. Era mais carinho e costume. Era mais rotina do que outra coisa. Mas ainda assim, eu queria você mais do que tudo.

As coisas só desandaram a partir dai. E se você não fosse tão canalha, eu tentaria ainda hoje, ter alguma coisa casual com você, como você pediu, depois de terminar comigo. Algo casual, nada sério, e eu neguei. Hoje eu tentaria, porque até acho que seria uma boa ideia. E seria, realmente seria, mas não é porque é casual que não mexe no emocional. E ver você paquerando outras garotas na minha frente dói mais do que você é capaz de imaginar. O pior dessa dor, é que eu não sei mais se ela existe. É um tipo de vazio. Invade de uma só vez e fica, não vai embora.

Não consigo me interessar por mais ninguém e mais nada. Não há nada aqui que me anime. Não há ninguém aqui que eu queira ter por perto. E até quem antes eu queria sempre comigo, não sei se quero mais.
Você mudou completamente minha vida, e já não sei como voltar ao normal.

Nada mais tem graça. Tudo que vejo é sangue.

domingo, 2 de maio de 2010

Vou recomeçar. Carta pra você:

Não estou mais aqui por você.

- Desculpa

Não estou aqui pra ficar.

- Mas fique...

Deve haver lugar melhor pra se estar.

- Não há nada melhor do que eu e você.

Não posso.

- Você pode, basta querer.

Não é só querer.

- PARE.

Não

- VOLTE.

Não tem volta.

- Me deixe ir com você.

Mas você que foi embora antes.



Você não me deixou escolha, deixou? Me deixou saída? Me deu direito de opinar? Questionar? Falar? PEDIR? IMPLORAR?
Você partiu.
Você partiu e me feriu com sua partida. Mas sou tão forte agora, porque já cai tantas vezes e tive de usar de minha força pra levantar-me.
Eu gostaria de ter corações reservas pra jogar esse fora e colocar outro no lugar.
Mas seria estupidez, concorda?
Meu coração já esta quebrado, já tem cicatrizes, tem história. Se eu recomeçasse do zero, teria um novo coração pra partir e doer mais, doer como doeu da primeira vez.
Não que sua partida não doa, não que a ferida que você abriu aqui dentro não sangre, não que não haja lágrimas caindo de meus olhos. Mas sou mais forte agora. Sei engolir o pranto com mais rapidez e disfarçar a tristeza em meus olhos de maneira que convença melhor.
Saiba que doa, dói muito. Mas amar dói e eu amo muito, eu amo tudo, eu respiro amor e meu sangue em minhas veias pulsa e queima amor.
Estou quase totalmente acostumada com a dor, essa dor, sei que uma hora ela vai aumentar.
Uma hora, um dia, com uma pessoa, essa dor vai ser quase insuportável. Talvez você vá ser o culpado por isso, porque mesmo separados, te amo mais a cada segundo.
Mas aguentarei esse amor, guardarei ele aqui dentro em um lugar tão fechado que uma hora, eu serei pouco e não conseguirei chegar nele.
Alguns dizem que "o amor é único e só acontece uma vez". Mentira! Mentira...
Você ama muito, ama muitos, mas conforme a dor ataca você acaba sabendo controlar o sofrimento e parece sofrer menos, mas não ama menos, apenas aguenta mais.

É como uma vez escreveu Carlos Drummond: "A dor é inevitável. O sofrimento é opcional"

Por fim, quero resumir.
Ainda te amo, acho que esse amor vai continuar em mim mas com o tempo vai se guardar pra si. Porque aprendi a não sofrer com a dor que o amor me causa. Ainda sofro, claro, mas bem menos.
Escolhi não sofrer e é melhor assim.


Para: J.G(L)