terça-feira, 25 de maio de 2010

Sal, açúcar e uma pitada de masoquismo.

As pessoas costumam dizer que uma só chance basta. Mas basta?
Vejo agora a pouca coisa que me restou. E vejo que não me restou nada bom, e que, o que ontem eu admirava com brilho nos olhos e sorriso nos lábios, hoje me trás lágrimas e dor.
Pra que viver tudo isso, e continuar querendo vivê-lo, se sabemos que no final vamos chorar?
Por que só é vivido pra quem chora no final?

Dúvido que aquele seu romance barato do ano que passou, qual você nem lembra direito como começou, e qual você nunca derramou uma lágrima, você considera que viveu e aprendeu. Dúvido que aquele rapaz que te amou, e que não foi recíproco por você, acha o mesmo.

Só vive quem sofre no fim. Porque quem não sofreu, não vai levar NADA daquilo. Nenhuma lição, nenhuma boa ou má lembrança, nenhum sentimento, nada. Só vai sobrar o passado.
Aquele que vai ser lembrado como muito distante enquanto quem sofre, chora lembrando, como se tivesse acontecendo no momento exato em que é lembrado.

E eu sei... Eu sei que fui mais uma pra você. Sei que hoje já sou lembrada como um passado distante, mesmo quando faz apenas UM MÊS, desde que o tudo tornou-se nada. Eu vou ser isso, enquanto você continua sendo TUDO pra mim, e não sobrou NADA. Nada que eu queira guardar. Nenhuma foto que eu ainda queira ver sorrindo.
Você vai ser, assim como é, aquele que enquanto eu lembro, eu choro. Se não por fora, por dentro.

Fazer o que estou prestes a fazer. Tentar mais uma vez e insistir em algo que vai ser COM CERTEZA um erro. É colocar o revolver apontado no braço direito.
Não pra matar, porque um tiro no braço não é pra isso. Mas pra fazer doer, sangrar, chorar, ferir, e me impedir de seguir meu caminho e minha vida durante um tempo, até que a recuperação termine.
É prolongar mais o sofrimento.

Mas eu preciso sentir o revolver na pele, eu preciso ouvir o barulho do disparo, e eu necessito sentir essa dor absurda, sofrer esse acidente, e depois me recuperar.
Porque enquanto fica só eu e esse revolver nessa sala, nem eu posso sair, nem a bala dentro dela pode me ferir.
E eu cansei de não sentir nada, cansei do vazio.
Vai ter sangue escorrendo na noite de amanhã.

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