segunda-feira, 7 de junho de 2010

Caminhe comigo.

Olho pra ele e não consigo mais encontrar uma alma, uma vida, nos olhos de quem vejo.
Observo seu sorriso e não vejo alegria na expressão que ele insinua.
Finjo não ver... Abaixo minha cabeça e observo meus pés, com pensamentos positivos para que quando eu vá olha-lo de novo, o sorriso forçado já tenha partido. Olho-o novamente e o sorriso continua ali, mas vai sumindo conforme tento mostra-lo, pelos meus olhos, que o entendo. Tento conforta-lo com um olhar e logo aquele sorriso cai, em seus lábios forma-se uma expressão de tristeza absoluta e eu, de longe, tento conforta-lo mais uma vez.
Dou um passo até ele e ele dá outro passo pra trás. Ainda me olhando, agora com olhos desesperados e eu posso ver a alma dele ali dentro agora, destruída.
- O tempo vai passando e você nem vê. - ele me diz enquanto lágrimas se formam - Não deixe mais o tempo passar assim pra ti, caminhe com ele, corra com ele. - pede com lágrimas escorrendo pelas bochechas. - Meu tempo acabou.

Não morreu. Não voltou. Não mais chorou. Só viveu sem amar, o resto de vida que ainda lhe restava. E viver sem amar foi o suficiente pra implorar pela morte e querer voltar no tempo.
Mas o tempo não volta, nem para, e a morte vem quando ela quer vir.

2 comentários:

  1. Eu nao vou nem perder meu tempo falando do quão bem voce escreve e de como tudo isso é tocante. Voce é brilhante.
    Nao sei se é de grande ajuda mas, mesmo longe, eu vou estar sempre caminhando ao seu lado.

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  2. O tempo nunca para.
    Infelizmente, ele nunca dá chance pra gente.

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