segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ela não dormiu mais no calor dos teus braços.

Anos atrás.

Não era mais uma questão de tempo. O ponteiro no relógio continuar girando não mudaria nada. Tudo, exceto o relógio, tinha parado naquela casa.
Ela no quarto da frente, com a mala aberta e as roupas dentro dela, bagunçadas, amassadas, se despedindo.
Ele dentro do carro, a chave na mão, os olhos na janela, observando-a observar a mala aberta.
Uma lágrima hesitou também, parada nos olhos dele, esperando poder cair. Não podia, o orgulho não deixava.
Tudo havia parado. Porque nada podia continuar enquanto tudo dava errado.



Agora.

Não era mais de parar o tempo. O ponteiro no relógio continuava girando enquanto nada mudava.
Tudo, parecia tão comum e tão certo que cansava.
Ela fazia suas músicas, tocava seu piano, e dormia cedo. Usava roupas amassadas, bagunçadas.
Ele pegava seu carro todas as manhãs, ia ao escritório, olhava pela janela e desejava voar. Voar pela janela sem rumo, voar dali.
Nada funcionava, nada melhorava, nada apimentava, nada dava aquele sabor que antes tinha. Nada, mais nada. Porque não era mais a mesma.

Ela não era a mesma. 
Era outra. A mulher anterior fez as malas e foi embora.

Tudo havia mudado, e agora nada mudava mais. Porque nada podia mudar, enquanto tudo estava errado.


Antes eu chorava e parava, agora eu paro e choro. 

3 comentários:

  1. Me identifiquei muito.
    Sei que agora pra mim, nada pode mudar, não enquanto tudo estiver errado.
    Preciso achar minhas peças e montar meu próprio quebra-cabeças.

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  2. muito bacana !!!
    quando as coisas estão erradas, nao existe como mudar. O melhor é resolver e quando resolvemos, já muda alguma coisa dentro de nós.

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