quinta-feira, 29 de julho de 2010

Salada de palavras.

Quando foi que você decidiu que seria melhor fugir do que assumir a culpa?
A faca tem a marca das suas mãos. O buraco na janela tem o seu sangue. A culpa esta nos teus olhos.
Não adianta muito fugir agora, agora que o mal feito foi feito e que você terá a lembrança pra sempre.
Não tem mais saída.

Sei que te fiz calar. Sei também a dor que te fiz passar. 
Sei que errei e não vou pedir pra me perdoar. 
Não vou mais errar.

Tenho essa chave na minha gaveta.
Essa chave é minha e só minha, eu sei a porta que ela abre, eu tenho minhas iniciais bordadas a ouro formando um símbolo. Eu sei como fazer pra ela abrir a porta, sei a intensidade com que tenho que girar a chave, sei o que encontro depois da porta porque já visitei o lugar antes. Mas agora tenho a chance de usar a chave novamente, e pode ser a última vez.
Esses dias chegou uma carta em minha caixa de correio amarela enferrujada. Na carta, lia-se com clareza o comunicado dizendo que a porta poderia se fechar pra sempre e trocar de fechadura, se eu não colocasse-a em meu chaveiro. No meu chaveiro, deixo bem claro pra quem me conhece, só ficam minhas chaves de casa.  Mais nenhuma, de ninguém.
Tenho que escolher se devolvo essa linda chave à seu lar, ou se transformo nosso lar num mesmo e vivo junto dela pra sempre; dela, da casa, da fechadura e principalmente, do dono.



Oh, lindo dono. Oh, querido amado.
Por que tentas me deixar tão longe dos lugares que costumo me encontrar?
Achas que não estou em meu lugar?
Oh, lindo dono. Oh, querido amado.
O que se passa em seu coração que bate tão forte e te faz sofrer?
Posso ser teu remédio se viestes a querer.
Oh, querido amado. Oh, lindo dono.
Pra que chorar diante deste mar? É por amor? É por amar?
Oh, meu querido. Oh, meu dono.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Às 01h da madrugada.

Recebi sua mensagem e não gostei.
Você pedia pra me ver, não pude responder.
Percebi sua astúcia pelas palavras que escolheu usar.
Nenhum sorriso esbocei.
Não quero que você banque o esperto comigo. Não quero jogos, brincadeiras de adolescentes no ápice de suas obscuridades. Não está óbvio o que eu quero?
Você é bem esperto e deveria saber. Abuse de sua astúcia pra fazer o que é certo e o que de fato vai me deixar bem.
Não pense que um amor mal amado vai me satisfazer. Não quero mais um mês com outro alguém que vai embora e que talvez não vai mais voltar.
Ninguém volta, e quando volta tem gosto de passado. Passado é passado.
Quero alguém pra ser presente, futuro e boas lembranças. Alguém que compartilhe comigo boas lembranças e com quem eu possa relembra-las sempre, sem me lamentar.

Não me mande mais mensagens com seu ar de esperto querendo me conquistar. Não sou mais "conquistável" por assim dizer. Pare de achar que manda em alguma coisa que me envolva. Quando eu não quiser, não quero. Quando eu não chorar, não finjo. E quando você precisar, me peça... não espere que eu adivinhe. Não sou mágica.

Mas peça com carinho.Caso contrário, não faço.

Não gostei da sua mensagem, então não respondi.
            Vai me esperar na chuva, sozinho.
    Boa noite, menino bobo.


Foto:   Justin e Brian da Série "Queer As folk" - Lindos e apaixonados, como todo mundo devia ser. HA

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Às 20h da noite.

Hoje pensei em você.

Eu estava sentada num ônibus quase vazio, o motorista deixou tocando uma música clássica muito calma e sonolenta. Encostei minha cabeça no vidro da janela, fiquei observando a praia passar lentamente enquanto o ônibus andava devagar, esperando o semáforo mais a frente ficar verde, pra então acelerar.
Aquela parte da praia em especial me lembra muito você. Até o gosto de sal que a areia da praia tem, me lembra você, mesmo sem provar quando passo, consigo sentir na ponta de minha língua, gostoso como sempre, o gosto da praia e do mar nos seus dias mais quentes.

Quente.

Foi o que senti, quando vi a praia e lembrei de você. Nem foi tão quente, pra ser sincera, e não for ardente nem picante. Foi uma sensação morna.
Como quando acordamos de manhã, enrolados em nossos cobertores quentes, num dia frio. Aquela sensação boa de não querer sair de lá por nada. Aquele conforto, sensação de lar, de paz.
Também, um certo carinho.

Foi morno.

Essa sensação morna me tomou por inteira enquanto pensava em ti, e aos poucos foi esquentando cada vez mais, até que me entristeceu.

Me deixa triste, e não sei por quê.
Pois não sei mais nada.
Nem se quero, se sinto falta, ou se preciso de você.

Só sei que hoje pensei em você.
Fazia tempo que já não pensava.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Não estamos mais em terra firme.

Ele estava lá, ela também. Parados como se nada quisessem, observando aquele mesmo nada vagar entre eles. A música que o mar fazia era quase tão agradável quanto a voz dele para ela. E olhar as estrelas era quase tão bonito quando apreciar a beleza dela, para ele. E lá estavam eles.
Não estavam muito perto um do outro, pois imaginavam que seria estranho se aproximarem demais.
Ele não sabia dela, e ela não sabia dele, mas ambos sobre eles sabiam demais.
Ela sabia tudo sobre a vida dele. Ele sabia tudo sobre a vida dela. E saber demais era o suficiente pra mantê-los afastados enquanto olhavam as estrelas e ouviam o som do mar.
Não sabiam quão preciosos eram aqueles segundos perdidos, um longe do outro.
Não faziam ideia de quantos beijos perdiam em vão.
Ela queria tanto quanto ele, bastava dizer.

Os anos se passaram. O tempo é sempre pouco.

domingo, 11 de julho de 2010

Manha, de manhã, amanhã.

Não tem sentido você me ligar essa manhã. O Sol nem apareceu no céu acima de nós, o mar nem tem ondas e as pessoas não estão falando alto. Não tem sentido você me ligar. Esta tudo tão calmo.
Você pode dormir essa manhã, acordar de noite e pensar em mim. Só pensar, também não me ligue essa noite.
Não tem sentido você me ligar essa noite. A lua vai estar tão pequena e as estrelas tão borradas, o barulho do transito vai ser insuportável e sua pressa pra noite passar logo será enorme. Não me ligue essa noite.
Amanhã sim, amanhã me ligue.

Amanhã acordarei mansa, com aquela cara de "quero colo", pedindo aconchego e seus braços quentes pra me confortar. Ah, você me conhece de manhã.

Não essa manhã, mas amanhã. Amanhã você me conhece de manhã.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Então, olhe para dentro.

Chega de mansinho e o impacto que me causa é avassalador. Seria desastroso se não fosse tão bom. Quase catastrófico se não confortasse tanto.
Ele me abraça, me deixa aquecida em seus braços e me diz as coisas que eu preciso ouvir, e apenas elas. Porque ele sabe o que eu preciso ouvir e o que ele precisa fazer pra que eu ouça-o.
Ele sabe que basta me abraçar, me abraçar tão forte que todos os sentimentos dentro de mim vão ficar apertados demais e transbordar pelos meus olhos e meus lábios. Com lágrimas e palavras soltas que não dizem nada.
Ele me abraça forte, agride meus sentimentos, esmaga meu coração, e faz tudo sair de mim. Ele me tira de mim.
Ele tira de mim essa angústia e apreensão que aos poucos vem me transformando em apenas isso. Ele me faz deixar de ser.
Me envolve, me aperta, me faz transbordar sentimentos indesejáveis. Me deixa limpa outra vez. Me faz lembrar de todo o meu passado, de todos os passos que dei, de todos os erros e todas as lágrimas que chorei. Me faz lembrar do choro que interrompi e da briga que lutei. Me faz lembrar das guerras que presenciei dentro de mim, das lutas sem fim, dos beijos em vão. Me faz lembrar das pessoas que hoje não significam nada, e daquelas que amarei pra sempre.

Ele me faz ver!

E eu preciso disso, preciso ver todos os dias todas essas coisas, ler todos os dias toda a minha história, pra entender o que esta errado nela, pra ver se realmente há algo errado.
HÁ ALGO ERRADO:   Ele só chegou agora.

Ele que me acalma, me firma, me mostra, me abraça. Não é como os outros, não é como antes.
Nada mais é igual.
Porque ele esta em mim, ele é minha fé, ele é minha certeza.
Ele é aquilo que antes eu não compreendia, mas agora vejo com clareza. Ele é a unica coisa que eu preciso pra não errar o mesmo erro novamente.

domingo, 4 de julho de 2010

Já passou, não volta mais.

Resolvi escrever para você,
Não que você mereça ou que você vá ler.
Resolvi porque gosto de expressar o que penso,
Principalmente quando se trata de ti.

Não vou fazer rimas, nem desejo ler comentários seus.
Não espero agradar, nem você, nem ninguém.
Só preciso escrever isso pra ti.
Tenho te chamado todos esses dias, te esperado, e olhado por todos os cantos pra ver onde você está.
Tenho realmente acreditado que você vai chegar.

Você quer apresentações? Então vamos lá.
Aquele, ali um pouco longe aparentando perto demais, é meu passado.
Eu não posso afasta-lo mais que isso sozinha, um dia você provavelmente vai estar lá.
Antes eu não entendia, agora entendo.
Uma hora eu vou estar lá, no seu passado.

Já te dei meu endereço, meus horários, meus compromissos e até minha permissão.
Você tem minha chave, meu telefone, meus contatos...
Está tudo ai, em algum lugar do porta-trecos de seu carro novo.
Você deve saber disso mas talvez tenha esquecido, de tão bêbado...

Eu cansei de chamar por você, esperar por você e pensar em você.
Mas chamarei novamente, caso você não tenha ouvido.

Estou aqui agora. Agora.

Não queira que eu te apresente pra alguém, não queira estar lá.

sábado, 3 de julho de 2010

Embarque.

Embarquei nesse paraíso de mentiras caladas, de olhares correndo por fileiras de rostos estranhos, de medos e diferenças. Embarquei nesse barco onde só entra quem tem coração, e só sai quem tem curativos na bolsa.
Quando o barco balança muito, fecho os olhos. Fecho os olhos pra não ver as mentiras respingando nas pessoas ao meu redor. As gotas de mentiras que caem sobre mim eu sinto calada.
Sempre vão haver mentiras por aqui e por aí mas lembre-se de algo que eu sempre tento me lembrar, quase todas as mentiras são contadas pra que haja um fluxo maior de felicidade, pra que mais pessoas se entendam, pra que as verdades não machuquem.
Porque mentiras são contadas pra esconder verdades, e acredite, na maioria das vezes as verdades doem muito mais do que as mentiras.

Essa noite fui extremamente sincera, absolutamente eu, e fiquei totalmente aliviada de ter vivido o que vivi, falado o que falei e feito tudo que fiz.

Mas o barco continua seu lento e longo caminho. Meu coração continua se machucando com as verdades e as mentiras que respingam em mim  - e as vezes jorram feito chuva - e eu continuo com minha maleta de curativos, tentando fazer cicatrizar cada ferimento.
Corro riscos, muitos e mútuos, tanto pra mim - eu que estou no barco - quanto pra você - mar que machuca meu coração - . Mas arrisco mesmo assim. Navego mesmo assim. Porque não to afim de ficar só assistindo o barco dos outros andar.