quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Quero voltar a jogar o jogo.

O jogo que sempre manteve pessoas apaixonadas por mim. O jogo que sempre me fez ser melhor do que alguns e nunca me fez chorar.

Não é preciso esquecer quando não se há o que lembrar.
Eu sempre tenho lembranças das coisas que me fizeram sofrer, e dos meus momentos de felicidade, só me dá saudade, mas não me lembro direito.
Estou com vontade de voltar pro ponto de inicio, ponto de partida, e correr em câmera lenta por toda essa pista, pra quando chegar no final estar seca, sem lágrimas e sem suor.

To com vontade de jogar o jogo. O meu jogo.

E você é minha peça chave.

XOXO, i'm back.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Just fine.

O telefone toca, coloco a mão dentro da ferida aberta e seguro meu coração com a mão direita enquanto a esquerda atende sua ligação. Ouvir sua voz faz meu coração disparar e isso machuca mais que qualquer coisa, então aperto forte meu coração e fecho os olhos com força. Você diz “olá” e eu pergunto “por quê?”, você diz “sinto falta” e eu acredito na verdade, que não é a que você diz, mas a que eu tinha tomado uns minutos antes. O copo que ficava em cima do piano continha verdade – a verdade pode ser o maior veneno, principalmente ao coração. Vomito então toda aquela verdade no seu ouvido: “Se fosse saudade teria sido sentida antes.”

Carência, essa é a palavra chave. Minha chave.

E então, depois de muito tempo com a língua presa e o coração sangrando, eu digo:
“E eu... eu já não sinto falta de você. Tudo que eu quero agora é uma agulha e uma linha, pra costurar os danos e seguir em frente.”
E a sangue frio, porque gosto da dor.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Como de costume.

Em algum dia perdido de um Abril distante, acordei com uma vontade de voltar ao meu sonho. Não me lembro como era o sonho, mas sei que de tarde eu já havia esquecido dele. Acontece que sonhar aquele sonho, seja ele qual fosse, me fez sentir que qualquer coisa seria melhor do que a dura e triste realidade.
Minha realidade de Abril era que, conforme o tempo passava - e conte sempre o tempo por segundos - mais o amor acabava e as coisas mudavam pra ambos, tanto eu quanto ele.
Naquela manhã de Abril, eu tinha certeza, aquele - e apenas aquele - seria um bom dia no mês.
Acredito que fosse dia 21 ou 22, não lembro bem. Levantei como em qualquer outro dia, com o ar gelado, toquei os meus pés descalços no chão de madeira e me espreguicei no escuro. Eu estava cansada, mas não sabia exatamente de que.
O dia passou normal e curto, almocei com minha familia, fui até uma padaria comprar refrigerante gelado, brinquei com meu primo e mais tarde, quando recebi uma ligação dele, combinamos de sair.
Tudo estava tão comum, que eu já sabia exatamente quais seriam meus próximos passos, pois vinha fazendo isso à três meses.
De noite, na praia sob um luar muito bonito e estrelado, encontrei com ele e passamos alguns minutos sozinhos. Logo nossos amigos chegaram, nos sentamos em uma roda, pegamos alguns refrescos, e ficamos ouvindo o som do violão.
Ele deixou-se deitar sobre meu colo, a brisa era tão suave que me acalmava, e olhando em seus olhos pude ver meu paraíso. Da manhã até aquele momento, muita coisa tinha mudado sem que eu percebesse. Acordei acreditando que era o fim, e naquele instante, vi um novo começo.
Logo ele assumiu o comando do violão, tocou algumas músicas, a última deixou-o sem jeito e triste pois mexeu com seu sentimental. Quis abraça-lo forte quando vi seus olhos molhados. Não pude.
Não nos demoramos muito, escapamos logo de nossos amigos dizendo que eu tinha que ir embora, caminhamos de mãos dadas pela orla da praia e paramos no segundo quiosque do Canal 1 em Santos/SP.
Comprei dois x-tudo para nós, pois eu morria de fome e não comeria sozinha. Comemos, ele brincou com a comida, limpei sua boca com o guardanapo enquanto ele limpava a sujeira que tinha feito na mesa, depois de ter comido o resto do meu lanche. Rimos bastante, foi divertido.
Levantamos, eu paguei o lanche, agradeci o rapaz que tinha preparado, e andamos de mãos dadas até a frente do prédio onde eu iria embora. Ele me beijou, normal, como sempre fazia. E quando eu estava entrando no prédio ele pediu por mais um abraço. Um último abraço, mas disso eu não sabia.

E agora decidi contar essa história sobre o final do meu último estúpido namoro, apenas pra saber o que eu sentiria ao digitar. Confesso que no inicio, quando escrevi as primeiras palavras, respirei fundo pensando que não conseguiria terminar e acabaria apertando o backspace com força até ele deletar tudo que eu já tivesse escrito; mas não. O texto está todo aí, não omiti nada que eu lembre. Hoje é uma madrugada de Setembro, e eu - como de costume - estou apaixonada novamente.

Por outro alguém.

Samantha estava ali.

- Sorria, amor. - Disse encarando a câmera em suas mãos. Quando o flash foi disparado, Renato buscou nos olhos de Samantha uma prova de amor, um brilho nos olhos que fosse, qualquer coisa que mostrasse aquele sentimento. Samantha, que sorriu pra foto, apenas sorriu.

Me pergunto, onde está o amor então?
Está nos olhos dela, ou no sorriso que ela força pra agrada-lo?
O que mais Renato quer ver além do que esta bem a sua frente?

Samantha estava ali, o dia estava frio, o vento era forte, as ruas estavam desertas e SAMANTHA ESTAVA ALI.
Samantha sorria, sentia cólica menstrual, dores fortes de cabeça, estava cansada, tinha mil pensamentos flutuando em sua mente, e mesmo assim... Samantha sorria.
O que Renato esperava? Flores e caixas de bombom?
Samantha que dedicava todo seu tempo livre, e até um pouco do seu tempo com compromissos para Renato, atendia todas as ligações do namorado e retribuía elas.
O que Renato esperava de um olhar? Depois de tantos beijos, depois de vários abraços, pra que Renato procurava brilho nos olhos dela?

Renato ingrato.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sou um feixe de luz.

Ontem observei uma gota de chuva caindo bem perto dos meus pés. Eu estava na ponta dos pés, com os olhos mirando o céu azul muito escuro, quando pude vê-la. Tudo parecia estar em câmera lenta. A gota, limpa como só água poderia estar, caia em minha frente em direção ao paralelepípedo. Quando foi de encontro à poça, pude observar aquele momento único, onde várias se transformavam em uma só, e lembrei de nós.
É inevitável, tudo esta sempre em estado de mutação. Tudo muda, se transforma. E eu, eu já mudei tanto por sua culpa, que cheguei a pensar que não iria mais me encontrar.
Seus dedos ainda fazem desenhos em minha cintura enquanto caminho pro ponto vazio na frente da padaria de azulejos azuis e vidro espelhado. As árvores fazem o mesmo barulho chiado gostoso e o canal continua o mesmo. As pessoas passando, a luz dos postes, o céu azul escuro, o quebra-mar.
Eu sou um feixe de luz na extensa praia vazia.
Quando o relógio grande da praia de santos marcar 00:00 e você estiver sentado com camiseta branca olhando o mar, com cara de sono e várias pessoas em volta de ti, você vai ver o reflexo de mim nas águas que batem nas pedras.
Eu vou estar longe, e ao mesmo tempo tão perto, que você vai poder sentir meu cheiro de maracujá.
Me sinta, me leia, se lembre.

Eu nunca mais vou lembrar de você como eu lembrava antes. Não sentirei raiva de ti a cada passo que eu der. Quando eu passar pelos lugares onde estivemos de mãos dadas, mal lembrarei da nossa presença ali. Estou num universo paralelo ao seu, onde nunca nos encontraremos mais. Porque eu mudei, muito.
Não somos mais os mesmos e por isso não nos encontraremos mais.
Quando eu ver você passando por aí, não vai ser o você que eu conheci, e eu não serei quem você conheceu.

Ainda assim, ainda me lembro bem.