terça-feira, 14 de setembro de 2010

Como de costume.

Em algum dia perdido de um Abril distante, acordei com uma vontade de voltar ao meu sonho. Não me lembro como era o sonho, mas sei que de tarde eu já havia esquecido dele. Acontece que sonhar aquele sonho, seja ele qual fosse, me fez sentir que qualquer coisa seria melhor do que a dura e triste realidade.
Minha realidade de Abril era que, conforme o tempo passava - e conte sempre o tempo por segundos - mais o amor acabava e as coisas mudavam pra ambos, tanto eu quanto ele.
Naquela manhã de Abril, eu tinha certeza, aquele - e apenas aquele - seria um bom dia no mês.
Acredito que fosse dia 21 ou 22, não lembro bem. Levantei como em qualquer outro dia, com o ar gelado, toquei os meus pés descalços no chão de madeira e me espreguicei no escuro. Eu estava cansada, mas não sabia exatamente de que.
O dia passou normal e curto, almocei com minha familia, fui até uma padaria comprar refrigerante gelado, brinquei com meu primo e mais tarde, quando recebi uma ligação dele, combinamos de sair.
Tudo estava tão comum, que eu já sabia exatamente quais seriam meus próximos passos, pois vinha fazendo isso à três meses.
De noite, na praia sob um luar muito bonito e estrelado, encontrei com ele e passamos alguns minutos sozinhos. Logo nossos amigos chegaram, nos sentamos em uma roda, pegamos alguns refrescos, e ficamos ouvindo o som do violão.
Ele deixou-se deitar sobre meu colo, a brisa era tão suave que me acalmava, e olhando em seus olhos pude ver meu paraíso. Da manhã até aquele momento, muita coisa tinha mudado sem que eu percebesse. Acordei acreditando que era o fim, e naquele instante, vi um novo começo.
Logo ele assumiu o comando do violão, tocou algumas músicas, a última deixou-o sem jeito e triste pois mexeu com seu sentimental. Quis abraça-lo forte quando vi seus olhos molhados. Não pude.
Não nos demoramos muito, escapamos logo de nossos amigos dizendo que eu tinha que ir embora, caminhamos de mãos dadas pela orla da praia e paramos no segundo quiosque do Canal 1 em Santos/SP.
Comprei dois x-tudo para nós, pois eu morria de fome e não comeria sozinha. Comemos, ele brincou com a comida, limpei sua boca com o guardanapo enquanto ele limpava a sujeira que tinha feito na mesa, depois de ter comido o resto do meu lanche. Rimos bastante, foi divertido.
Levantamos, eu paguei o lanche, agradeci o rapaz que tinha preparado, e andamos de mãos dadas até a frente do prédio onde eu iria embora. Ele me beijou, normal, como sempre fazia. E quando eu estava entrando no prédio ele pediu por mais um abraço. Um último abraço, mas disso eu não sabia.

E agora decidi contar essa história sobre o final do meu último estúpido namoro, apenas pra saber o que eu sentiria ao digitar. Confesso que no inicio, quando escrevi as primeiras palavras, respirei fundo pensando que não conseguiria terminar e acabaria apertando o backspace com força até ele deletar tudo que eu já tivesse escrito; mas não. O texto está todo aí, não omiti nada que eu lembre. Hoje é uma madrugada de Setembro, e eu - como de costume - estou apaixonada novamente.

Por outro alguém.

3 comentários:

  1. muito lindo amei s2
    "Um último abraço, mas disso eu não sabia."
    que frase forte s2*-*

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  2. As vezes tenho sonhos maravilhosos, logo esqueço e só fico a sensação. beijo

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  3. Nossa Rha, muito lindo, bastante tocante =)

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