domingo, 27 de fevereiro de 2011

Três toques de outros vinte

Dei três toques antes de desistir de vez. Seu telefone nunca mais tocará; espero que saiba. Não por mim. Minha voz do outro lado da linha você não vai mais ouvir. Nem meu sussurro. Muito menos aquele meu silêncio enquanto eu acendo um cigarro e o tic do meu isqueiro. Minha risada rasgada quando você fala alguma coisa definitivamente sem cabimento e graça no seu telefone você não vai mais escutar. Foi minha última ligação.
E eu. Eu ligava pra dizer o quão você me tinha nas mãos quando disse pela primeira vez o meu nome. Eu ligava pra falar todas aquelas três lindas palavras que eu tanto neguei te deixar ouvir durante meses. Meses que passaram voando e que foram embora sem dizer adeus; sem deixar bilhete. Ninguém me deu o número pra eu ligar pra esses meses e pedir pra eles voltarem pra mim. Era isso que eu; Eu ia te ligar pra dizer que você me teve nas mãos e que eu te amo e pedir pra você voltar pra mim; e aí sim, aí quem sabe aqueles meses não se fariam novos e nossos novamente. Meses não voltam, eu sei. Mas pessoas voltam, certo? Errado?
Aí eu entendi, quando finalmente o telefone bateu no gancho e meus dedos continuaram tremendo enquanto eu tentava acender aquele maldito gudang garam com aquele isqueiro de dois reais e cinquenta centavos comprado na banca da esquina, que as pessoas só voltam quando querem voltar e que uma ligação não muda o ciclo; muito menos volta o tempo. Eram só três toques de outros vinte pra você; você que nunca mais me atendeu, e que também não voltou.  

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Alérgico

"Já não curarei sua solidão
Quando hoje anoitecer
Não estarei para ouvir
Suas histórias loucas
Não, pois você tem medo de sentir
Pois você é alérgico a sonhar
E perdemos a cor
Pois você é alérgico ao amor

Vou caminhando em meio a tempestade
Buscando em algum lugar minha paz
De onde eu possa então fugir
Onde você não vai estar
E ser feliz, eu vou viver
Mesmo sem você estar."
(Anahi/Renne Fernandes)




Pois seu coração é alérgico a mim. E eu não vou ser - novamente - a garota com o coração partido.  

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Deixa ser, como será.

A primavera não consegue se aproximar de ti. O inverno tem fugido da sua janela. O vento não bate. As flores não caem. O sol vai te esquentar até você entender e aceitar que ele estará ali por muito mais tempo do que você imagina. A coca-cola gelada não vai satisfazer tua sede. O sorvete congelado vai derreter antes de chegar nos teus lábios. Até que você perceba, até que você entenda. E que dê valor pra vida.
E eu sei que você não quer mais; E eu sei que você cansou. Do nada tudo muda, as pessoas mudam e até você mesma, veja só: não é mais a mesma. Essa raiva dentro de você, jogue fora. Esse sentimento embrulhado no estômago, vomite-o! Enfia o dedo na garganta e força. Hora ou outra tudo muda mais uma vez. Dê tempo ao tempo. Deixa o Sol ferver, esquentar e secar tudo e todos. Depois deixa a chuva leve cair. Depois deixe o frio te incomodar. E então deixe as flores caírem. Deixa tudo fluir.
Existem sim coisas que duram pra sempre, até você morrer. Mas enquanto você não encontra o seu pra sempre, viva o seu agora. Deixa pra lá.

"Deixa ser, como será."

Texto sobre minhas lágrimas nº2

Quando eu digo que amo é porque amo. Quando digo que nunca amei, é porque desejaria não ter amado. As vezes falo coisas erradas. As vezes deixo a raiva falar por mim. Mas quando eu digo que machucou, é porque machucou; E quando sinto que estou ferida, sei que vou cicatrizar. Cicatrizes eu já tenho muitas, uma a mais será apenas uma a mais. O importante é que feche e que eu esqueça onde aquela marca ficou.
Mas quando eu digo que sinto, é porque sinto.

E eu sinto muito. 

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Prazer, amor, dor. O ciclo.


Decidi ser alguém que fica; Alguém que cumpre; Alguém que insiste; Alguém que persiste; Decidi ser alguém para com quem meu amor possa contar. Decidi ser uma luz quando anoitecer; Ser um cobertor quando esfriar; Ser uma canção quando silenciar; Ser um palpite quando a mente esvaziar; Ser um sonho quando o pesadelo chegar; Ser aquilo que o meu amor precisar. Decidi ficar. Decidi estar e fazer. Decidi cumprir. Acima de tudo, decidi ser de alguém, e não apenas ter alguém. Decidi que não basta ter sem me entregar. Decidi que preciso cuidar, e entender, e aceitar, quando preciso. Decidi que posso ser o ciclo. Posso ser o todo. Posso ser seu tudo. Então decidi ser pra ti; e ser o que for.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Texto sobre minha raiva. nº1

Não sei mais o que eu faço. Droga! - me repito - Droga. Não sei o que fazer.
Antes quando você bebia muito você só me amava mais. Você me ligava a hora que fosse e me dizia coisas fofas e eu derretia com tua fofura e tua voz enrolada. Agora não.
Droga. - sempre digo - Droga!

Agora você bebe e vem me dizer o quanto meus amigos são uns merdas. É isso mesmo?
Agora você bebe pra me dar notícias nada agradáveis e rir? Bebe pra me deixar infeliz? Bebe pra chegar em casa, ligar a merda do computador, entrar no mensseger e acabar de vez com meu dia?
Me xinga dez vezes seguidas mas nunca ouse, nunca, xingar um dos meus amigos. Quanto menos todos.
Eles são minha história, meu passado, meu presente e meu futuro. São eles que estavam ali quando eu nem te conhecia, garota tola. Não sou um brinquedo não. Muito menos um animal de estimação pra fazer tudo que você quer na hora que você quer e depois ainda ter que ouvir você xingando as coisas que eu tenho mais preciosas. Meus amigos são tudo, porque é pra eles que eu vou reclamar de você quando você me ferrar.
E droga! - como sempre dizendo - Que droga, guria, eu não queria ter de reclamar de você. Mas você faz por onde.

Droga!