domingo, 27 de fevereiro de 2011

Três toques de outros vinte

Dei três toques antes de desistir de vez. Seu telefone nunca mais tocará; espero que saiba. Não por mim. Minha voz do outro lado da linha você não vai mais ouvir. Nem meu sussurro. Muito menos aquele meu silêncio enquanto eu acendo um cigarro e o tic do meu isqueiro. Minha risada rasgada quando você fala alguma coisa definitivamente sem cabimento e graça no seu telefone você não vai mais escutar. Foi minha última ligação.
E eu. Eu ligava pra dizer o quão você me tinha nas mãos quando disse pela primeira vez o meu nome. Eu ligava pra falar todas aquelas três lindas palavras que eu tanto neguei te deixar ouvir durante meses. Meses que passaram voando e que foram embora sem dizer adeus; sem deixar bilhete. Ninguém me deu o número pra eu ligar pra esses meses e pedir pra eles voltarem pra mim. Era isso que eu; Eu ia te ligar pra dizer que você me teve nas mãos e que eu te amo e pedir pra você voltar pra mim; e aí sim, aí quem sabe aqueles meses não se fariam novos e nossos novamente. Meses não voltam, eu sei. Mas pessoas voltam, certo? Errado?
Aí eu entendi, quando finalmente o telefone bateu no gancho e meus dedos continuaram tremendo enquanto eu tentava acender aquele maldito gudang garam com aquele isqueiro de dois reais e cinquenta centavos comprado na banca da esquina, que as pessoas só voltam quando querem voltar e que uma ligação não muda o ciclo; muito menos volta o tempo. Eram só três toques de outros vinte pra você; você que nunca mais me atendeu, e que também não voltou.  

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