quinta-feira, 14 de abril de 2011

Stop me from falling

Nem sempre fui assim. Hoje, duas latas dessa cerveja não são suficiente pra satisfazer minha sede. Um cigarro desse maço não diminui minha dor, nem alívia minh'alma. Não era pra eu ser desse jeito; sei que tropecei pelo caminho e mudei de direção diversas vezes; eu sei o que eu sinto e as coisas que eu fiz. Não era pra eu ter errado tanto e feito tanta coisa em tão pouco tempo. Não sei se viver intensamente é bom. Perdi a razão.
Não queria ser como sou, ou como fui na noite passada. Passei da conta, perdi meus meios. Virei um vagão de trem fora de controle, saindo dos trilhos, em direção ao precipício. Não quero cair, mas não sei se consigo parar.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

E ela chorou baixo e ele sorriu.

"Se você amava essa garota, e a tinha contigo, por que foi embora?"
A frase que seu pai disse ecoou pela sua mente por bons sete meses até que, numa tarde calorenta de Outubro, resolveu fazer a ligação. Enquanto o número chamava, aquela ansiedade malvada apertava seu peito e lhe tirava todo o ar. Maldito ar que sempre ia embora nas horas em que mais precisava respirar fundo. Fechou os olhos e segurou entre os dedos, muito firmemente, o beck de maconha. Deu um trago longo, porque ninguém atendia e seu coração apertava cada vez mais. Quando o garoto estava por desistir, a linha foi atendida e após ele perguntar por ela no telefone o silêncio se fez. Ele pode ouvir ela engolindo a seco e tragou mais, precisava sair daquela realidade - aquela triste, má e sofrida realidade - e ir pra algum lugar dentro de sua mente onde tudo ficaria bem. Nas primeiras palavras, onde ela dizia que estava tudo bem mesmo sem estar, e ele dizia que estava tudo indo quando, na verdade, toda sua vida havia parado haviam meses; todas as mágoas trocaram idéia. Os dois haviam ferido um ao outro; feridas que apenas cicatrizariam com eles mesmos. Naquele silêncio eles sentiram que só eles mesmos seriam capazes de lhes fornecer tal cura. Que nenhuma mulher ou homem, além deles, melhoraria suas vidas. E ela chorou baixo e ele sorriu. Porque mesmo que fosse demorar, e mesmo que sete meses tenham se passado, agora o telefone havia sido atendido, e a vida parecia ir de verdade.

domingo, 3 de abril de 2011

Have faith in me

Não vou negar que a fé que eu sentia era grande demais. Eu tinha mais fé nas pessoas do que muitos cristãos tem por seu próprio deus. Minha fé me sufocava as vezes, mas nunca me tirou todo o ar. Minha fé nunca me matou. Não. Por isso estou aqui viva e escrevendo. Minha fé nunca me matou.
Tenho que dizer que essa fé fez-me muito mal, deixou-me triste por muito tempo, abalou-me, fez com que eu que nunca paro pra descansar, caisse numa cama e chorasse por longos dias. Dias que se arrastaram como se fossem meses, talvez anos.
O pior de tudo é que, todos os dias que eu era obrigada a levantar da cama e fazer meus deveres como pessoa, filha e aluna, aquela decepção me batia na cara. Um tapa por dia, as vezes até dois. Foram tapas pós tapas até que eu abaixasse a cabeça.
Abaixei minha cabeça, encarei meus próprios pés e vi que eu ainda estava de pé. A decepção me bateu mas não me derrubou. Olhando pro chão mesmo, eu sorri. Sorri abertamente e entendi que podiam me bater mais, eu era forte, eu conseguia lidar. E eu não revidaria. Não. Minha resposta aquilo seria um sorriso e um abraço. Abracei quem me decepcionou e falei que tudo bem. Porque tudo bem mesmo. Tudo bem se as pessoas não merecem minha fé. Tudo bem se eu coloquei fé demais em pessoas que não podem corresponder a isso. Tudo bem, sabe?
Agora minha fé é só em mim, e eu não vou me decepcionar, disso tenho certeza.