segunda-feira, 11 de abril de 2011

E ela chorou baixo e ele sorriu.

"Se você amava essa garota, e a tinha contigo, por que foi embora?"
A frase que seu pai disse ecoou pela sua mente por bons sete meses até que, numa tarde calorenta de Outubro, resolveu fazer a ligação. Enquanto o número chamava, aquela ansiedade malvada apertava seu peito e lhe tirava todo o ar. Maldito ar que sempre ia embora nas horas em que mais precisava respirar fundo. Fechou os olhos e segurou entre os dedos, muito firmemente, o beck de maconha. Deu um trago longo, porque ninguém atendia e seu coração apertava cada vez mais. Quando o garoto estava por desistir, a linha foi atendida e após ele perguntar por ela no telefone o silêncio se fez. Ele pode ouvir ela engolindo a seco e tragou mais, precisava sair daquela realidade - aquela triste, má e sofrida realidade - e ir pra algum lugar dentro de sua mente onde tudo ficaria bem. Nas primeiras palavras, onde ela dizia que estava tudo bem mesmo sem estar, e ele dizia que estava tudo indo quando, na verdade, toda sua vida havia parado haviam meses; todas as mágoas trocaram idéia. Os dois haviam ferido um ao outro; feridas que apenas cicatrizariam com eles mesmos. Naquele silêncio eles sentiram que só eles mesmos seriam capazes de lhes fornecer tal cura. Que nenhuma mulher ou homem, além deles, melhoraria suas vidas. E ela chorou baixo e ele sorriu. Porque mesmo que fosse demorar, e mesmo que sete meses tenham se passado, agora o telefone havia sido atendido, e a vida parecia ir de verdade.

Um comentário:

  1. Oie !
    - me percoo aqui diante das palavras *

    Se quiser , da uma passadinha no meu BLOG !
    vai que voce gosta tbm (:

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