domingo, 3 de abril de 2011

Have faith in me

Não vou negar que a fé que eu sentia era grande demais. Eu tinha mais fé nas pessoas do que muitos cristãos tem por seu próprio deus. Minha fé me sufocava as vezes, mas nunca me tirou todo o ar. Minha fé nunca me matou. Não. Por isso estou aqui viva e escrevendo. Minha fé nunca me matou.
Tenho que dizer que essa fé fez-me muito mal, deixou-me triste por muito tempo, abalou-me, fez com que eu que nunca paro pra descansar, caisse numa cama e chorasse por longos dias. Dias que se arrastaram como se fossem meses, talvez anos.
O pior de tudo é que, todos os dias que eu era obrigada a levantar da cama e fazer meus deveres como pessoa, filha e aluna, aquela decepção me batia na cara. Um tapa por dia, as vezes até dois. Foram tapas pós tapas até que eu abaixasse a cabeça.
Abaixei minha cabeça, encarei meus próprios pés e vi que eu ainda estava de pé. A decepção me bateu mas não me derrubou. Olhando pro chão mesmo, eu sorri. Sorri abertamente e entendi que podiam me bater mais, eu era forte, eu conseguia lidar. E eu não revidaria. Não. Minha resposta aquilo seria um sorriso e um abraço. Abracei quem me decepcionou e falei que tudo bem. Porque tudo bem mesmo. Tudo bem se as pessoas não merecem minha fé. Tudo bem se eu coloquei fé demais em pessoas que não podem corresponder a isso. Tudo bem, sabe?
Agora minha fé é só em mim, e eu não vou me decepcionar, disso tenho certeza.

2 comentários:

  1. Muito bom, Rhaissinha.
    Arrasando como sempre. Linda!

    Ah, tem coisa nova no meu blog. Segundo quadro "Cruel" da MENINA DA CABEÇA DE BOLA! dá uma espiada.

    Beijos

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  2. Estou aprendendo arduamente a não confiar, acreditar e ter tanta fé nas pessoas.
    Quando elas machucam, machucam de verdade.

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