terça-feira, 24 de maio de 2011

E logo tu! (de aniversário)

Pregos, vários pregos, centenas deles. Martelos pregando os pregos. A pele, muito sangue, muitos gritos. Muitos pregos sendo pregados na pele de quem gritava jorrando sangue. Muito sangue, eu gosto de sangue, sangue pra caralho jorrando feito água de cachoeira. Maldita. Maldito tudo que já te fez mal. Maldita seja eu, se já te fiz mal. Bendita seja vós, que com toda tua tristeza consegue sorrir. E que tristeza o que? Tristeza o cassete. Essa a gente manda se ferrar e ignora. Sabe bem como lidar com as "tristezas" que te aparecem, tu. Tu que, eu conheço bem, e que sempre ficas triste. Alegria não dura muito não, mas a tristeza também não fica. Tu choras, choras feito neném, aí se choras! Choras e te abraço. É tanta coisa! Tanta coisa aí dentro, aqui fora, aqui no meio. Entre nós tem um turbilhão de momentos, pensamentos, sentimentos, e tantas outras coisas que, Jah que o diga, nem nós sabemos direito o que. Lembra dos teus dias. Lembra dos teus dias e ri. Ri vendo que tudo se resolveu, hora ou outra, e se não resolveu, passou. Lembra dos dias que tu brincava com o pessoal da tua rua, que tu subia em árvore, que tu jogava bola na escola, cantava nos treinos de basquete, jogava pra cassete nos campeonatos, me fazia bolar aula pra ir na cidade vizinha jogar. Ri e lembra de quando você reparou que gostava mesmo de gurias, de quando você me contou isso numa caminhada voltando pra casa, na rua Campos de Bury com a Maj. Loretti, em Sv, eu ri e falei "e aí?" e tu ficou meio assustada pensando que eu ia achar algo insano, mas na verdade, achei a coisa mais normal você me dizer aquilo. Eu to pronta pro que vier de ti. Lembra do show em 2008 quando nos "re-encontramos", Fresno, um dos (se não O) melhores shows que já fomos juntas. Lembra das gurias que tu amou e desamou. Das que tu namorou e "separou". Dos que tu gostou. Dos que te gostaram. Lembra dos teus textos, do coração tatuado no peito, das nossas primeiras tattos, Alexandra, Twody, Banheiro Mexicano, e todas as tuas e (algumas) nossas histórias. Lembra das nossas músicas, das nossas brigas, dos nossos abraços. Lembra dos nossos choros, dos nossos tudos e lembra que TU É MUITO FODA.
Porque tu é e fim. Sem argumentos que eu precise utilizar. Tu sabe que eu te acho foda. Sabe que tu é especial pra mim. Sabe que eu te amo mais até do que deveria. Te amo MUITO. Por você daria a vida sem pensar 1 vez. Fica sempre tudo tão bem.
E logo tu, com todas as marcas, nunca deixando de sorrir... e logo tu, deu pra ser minha melhor amiga, e que seja sempre.
Feliz aniversário, pseudo-adulta, Lays Camargo. Lakinhas (L)

Te amo @lacas_c

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Querida, queria te dizer que tinha um oceano inteiro entre nós e que se o avião bateu foi sem querer.

Bateu a porta quando saiu. Saiu alegando que não queria mais nada. Nada que eu dissesse a faria voltar e mudar de ideia. Ideais que eu não concordava e que a fizeram partir. Eu tive de ir também, um tempo depois, voltar pro meu mundo real e dizer adeus àquela fantasia.

Que ridículo. Uma garota tão grande como eu vivendo um delírio tão profundo quanto aquele. Não passava de uma estória infantil mal contada. Daquelas que ninguém nunca descobre de fato se o final é feliz ou não porque todos dormem no decorrer de tal. Dormi feio antes da queda, por isso o avião bateu. Mal vi o avião decolar. Sei que eu era piloto e ela a co-piloto mas a gente dormiu quase que o caminho inteiro. Fomos só pilotando sem saber direito como nem porquê, bocejando a cada segundo e fechando os olhos.

Deixamos o avião ir, dormimos, o avião bateu e caiu. Fez-se a queda. O sono pegou pesado e ninguém descobriu o final da história. Quando abri os olhos havia um oceano inteiro entre eu e aquela que, mesmo que dormindo, havia me feito companhia todo aquele percurso de avião sonolento.  Ainda tentei nadar. Usei todo o meu folego e a força que eu tenho nos braços pra tentar chegar até você mas você não tem nem noção de quão imenso era e quanta água tinha entre nós.  Pensei até em esperar a água toda evaporar pra te pegar de volta e levar pra casa, mas demoraria muito e depois aquela chuva estúpida cairia e molharia tudo de novo. 

Quando vi até teu olho tinha virado oceano e transbordava mais água pra nos separar. Tuas lágrimas, dificultando minha chegada, foi o que mais me fez fracassar.

De repente tu acenas, tu nadas até uma ilha e desaparece. Deixa-me no mar que nunca acaba. Na beira da praia. Na sala da casa, com a porta batendo, o eco voltando.  Tu não me ligas, nem pergunta por mim. Tu só vais embora e nem dá tchau. E eu aqui, deitada no sofá, dormindo feito criança; perdendo, mais uma vez, o final da história. 

Uma dose de fé, por favor, garçom.


Minha palavra tem sido fé. Falta-me fé, me suponho. Falta-me coragem pra acreditar. Falta-me coragem de crer em algo que eu sei abstrato ser. Sinto medo de todos aqueles sentimentos inexplicáveis e aquelas sensações maravilhosas que me deixavam maravilhada, mas que hoje me dão arrepios e búfalos correndo por minha barriga; pudera ter aquelas bonitas borboletas fazendo parte de mim. As borboletas se alimentam da fé, os búfalos do medo.  Todas as borboletas fugiram de mim. Nem flores(e amores), em meu seio, guardo mais. Aquelas cartas bonitas, que antes eu escrevia, repletas de amor, quando eu transbordava lágrimas de alegria, e te dizia o quanto era bom viver ao lado teu, foram queimadas essa noite. Faz frio em Santos, e eu nem sei mais quantos animais e quantos monstros habitam o lugar das flores e das borboletas, dentro de mim.