sábado, 25 de junho de 2011

Eu que não amo você. ( mais um )

Parei na porta da frente de sua pequena casa de madeira e bati forte, três vezes, antes de respirar fundo.
- Eu sei que eu devia ter batido antes... para, me olha, me escuta... Não fecha essa porta! Droga! Eu sei que eu devia ter batido antes, gritado, voltado. Eu devia ter pego você ela cintura e levado de volta pro meu apartamento apertado naquela cidade maldita. Aquela cidade torna-se um labirinto sem tu de guia. Eu sei... caralho... como eu sei, sei que devia ter feito macarrão de verdade naquela sexta-feira a noite, quando você queria comer massa e eu preparei um miojo. Você odeia miojo, como eu pude esquecer? Sei que aquele vinho de 5 reais não tornaria o meu beijo mais doce e que eu fiz tudo errado. Como sou idiota... eu sei! Sei que naquele dia, quando chegou de unhas feitas de vermelho, só porque eu disse que gosto da cor, e cabelo mais claro, porque eu disse gostar de loiras, eu devia ter te elogiado e enchido de beijos, minha linda. Sou a guria mais babaca nessa cidade, mas veja bem, meu bem, eu gostava das tuas unhas pintadas de rosa - em vários tons diferentes - e dos teus cabelos negros em contraste com tua pele. Vê só. Eu sei que eu devia ter voltado mais cedo, batido na porta, entrado e pego o lugar desse canalha que deve estar aí dentro, em algum canto, roncando igual um porco enquanto você se sente menos amada. Eu te conheço tanto e deixei passar despercebido detalhes que eu nunca mais me permitiria deixar escapar. Eu sei que você é capaz de fugir de casa no meio da noite chorando, afogar as mágoas em vinhos caros e cigarros fortes. Mesmo você não gostando de cigarros, quando chora, tu fumas pra aliviar a tensão. Depois chora mais, por ter fumado. Mas eu to aqui e se depender de mim você não fuma mais. Por mim você só toma suco, come salada, corre na praia, vive em spa. Por mim, te faço princesa. Eu sei que eu devia ter batido antes...

- Eu não te amo mais.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Uma foto. (22/04/11)

Acredito que já era meia noite, talvez mais, talvez um pouco menos. O tempo tava gostoso demais. Alguns amigos meus de São Paulo tinham descido pra dar aquele role. Porta do show da banda Glória, Tribal Club, dia 22.04.2011. Fui falar com uns amigos e quando voltei, você esperava sorrindo. Mais rindo que sorrindo, com alguma graça que aquele garoto(mais pra garota) havia dito, acredito eu. Me aproximei e você me abraçou, te abracei também. Me encostou na parede. Te encostei no meu corpo. O teu no meu, do melhor jeito do mundo. Me beijou; nada no mundo me faria deixar de retribuir aquele beijo. Juro. Eu encostada na parede, você encostada em mim, teus lábios encostados nos meus. Minhas mãos das tuas foram pro teu corpo, tua cintura, tuas costas, teu pescoço, desceram, cintura, barriga. Tua barriga, ahhhhhh, tenho uma tara pela tua barriga, confesso. Tuas mãos no meu pescoço. Teus lábios nos meus lábios. Meus olhos fechados.

Mesmo sem ter visto, guardo as fotos.

Teus lábios nos meus lábios. Tua boca na minha. Teu gosto.
Uma foto. 





quinta-feira, 2 de junho de 2011

Quarenta passos

Você caminhava na minha frente, uns trinta passos de distância, uns trezentos batimentos numa corrida. Não corri, mesmo tendo esses trezentos batimentos pela frente; preferi tê-los lentos, como todos os outros. Quarenta passos agora, você apressou os teus, eu diminui os meus. Hesito, vendo você ir embora. Ficas tão bonito visto assim, caminhando. Nem pareces tu. Não que não sejas lindo, mas és tão simples que não pareces.
Você é complexo. Quarenta passos e nada pra me fazer parar de te olhar indo embora. Eu caminhava logo atrás, pra não te perder de vista e te via passando por toda sua vida, sem se importar com a minha.

Dromedário, Onça, Zebra, Macaco, Leão. - A observação.


 Observo e sou observada a todo instante. Mas as vezes, diante de algumas situações, sinto que sou a única capaz de observar de verdade. Olho nos olhos, leio o que a boca não quer botar pra fora, dentro. Dentro onde tudo esta intacto e, ao mesmo tempo, mexido. Leio sem falar uma palavra e faço minhas anotações mentais. Observo o mundo e as pessoas e me dou conta de que somos todos tão egoístas, nada que fazemos é pensando no outro, de fato.
Só não magoamos quem nós sabemos que nossa consciência vai pesar, em compensação, há vários por aí se magoando com atitudes que nem imaginamos que magoam. Foda-se isso tudo. Minhas observações só servem pra me acuar e me entristecer. Entristeço vendo o quão malvados somos.
Eu estava nessa roda, eu era o leão. Estava nessa roda, deitado, ronronando, observando e bebendo uma pinga qualquer. Haviam mais quatro de outros eu's. Caçando, bebendo, ronronando e farejando o jantar. Eu respirava fundo, observava todos, e descobria que alguém ali, seria o próximo.



OBS: O problema de quando bebo é que invés de ir pra outro mundo qualquer, fico com os pés ainda mais no chão, as vezes com tanta força que chego ao inferno.