quinta-feira, 28 de julho de 2011

Somos metade

Nós nunca tivemos uma música que eu possa dizer ser a canção de todo o nosso romance. Todas as músicas de amor serviam. Nós nunca prometemos estar presente pra sempre. Nós nunca prometemos o pra sempre e no fundo, nós sabíamos que não duraria mais do que aqueles três meses. Também sabíamos, no fundo de nossos corações, e de nossas mentes, e de nossa alma, que aqueles seriam os melhores três meses de toda a nossa vida. E sabíamos que se dali alguns anos nós não conseguíssemos reatar nosso amor, nunca mais viveríamos algo tão lindo e tão simples como o que nós vivemos. A verdade é que quando demos nosso primeiro beijo, naquela noite realmente estrelada, nós já sabíamos que era pra ser daquele jeito. Que teus lábios só eram teus pra poderem beijar os meus. Que teu corpo havia sido moldado, durante toda a sua vida, pra completar o meu. Que nossas formas se encaixavam. Porque suas mãos dançavam pelo meu corpo o mesmo tango que as minhas dançavam pelo teu. Éramos um casal em chamas. Tua saliva me era fonte de inspiração. Teus suspiros e teus gemidos durante as nossas noites me fizeram ver, e te fizeram ver, que nós dois não éramos plural, que nós dois não éramos par: Éramos um só. Éramos ímpar. 

E agora que os nossos três meses já se passaram, eu sou apenas metade, e você é a outra metade, e nós nunca mais nem se quer chegaremos perto de ser ímpar... sendo assim, se não chegamos nem a ser UM, nunca conseguiremos junto de outro alguém, ser par.


(25/01/2010)

Sinto-me vulnerável

Não tenho armas pra lutar nessa guerra. Não tenho cartas pra jogar esse jogo. Não tenho sapatilhas pra dançar essa dança. Nem tenho mais fôlego pra apostar essa corrida. Eu sempre acabo perdendo de qualquer jeito. De qualquer jeito.


(26/12/2010)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Banho (in)tenso.


Meu corpo já estava nu. Todas as peças de roupa estavam espalhadas pelo chão do banheiro. Boxe aberto, chuveiro quente ligado, toalha estendida à minha espera. E ela lá. Disputava o espaço comigo, na cena.
O frio que fazia naquela cidade era estressante, nunca gostei do frio, nem da cidade. Meu corpo tremia, por frio, e pela presença dela ali. Toda a minha pele arrepiada. Engoli a seco, observando-a. 
Eu a encarava, esperando que ela fizesse algo e ela ali, parada, esperando algo de mim. 
Nunca pensei que um banho pudesse tornar-se um momento tão (in)tenso como aquele estava sendo. Eu já estava desistindo. Ia pegar todas as minhas roupas pelo chão e me vestir, sair correndo dali o mais rápido possível, pra esquecer aquela presença que me apavorava e intimidava. Mas não consegui. 
Observa-la, por mais que me intimidasse, era hipnotizante. Meus olhos não conseguiam desviar. Engoli a saliva, mais uma vez. Meu coração palpitava alto, de jeito que eu poderia ouvir se não fosse o barulho da água caindo do chuveiro, palpitava logo ali, abaixo da minha pele, do meu seio. Que covarde eu, por não conseguir agir diante dela. Estava de mãos atadas. Sem saber por onde começar. Sem conseguir correr. Eu não poderia fugir de minha própria casa. Ela estava ali, esperando por mim, no meu banheiro. Ambas nuas. Ambas esperando, uma pela outra. 

Mas, por que eu fui entrar no banheiro sem a porra do meu chinelo? Eu não sabia como matar a porra da barata!