terça-feira, 9 de agosto de 2011

Passos.

Não sabia mais direito se continuava andando ou parava no meio do caminho. Que diferença faria parar ali ou continuar? Não havia nada no final da rua. Só mais rua. E mais. Até chegar em casa. Onde também não haveria nada. Pensou em parar na banca do outro lado da rua e comprar um cigarro. Mas - merda - não sentia mais vontade nenhuma de fumar. Nem por um segundo. Na verdade, só a ideia de fazê-lo já lhe embrulhava o estomago. Andou em passos mais lentos e meteu a mão no bolso da calça jeans, tirou de lá um isqueiro que nunca mais fora usado pra outra coisa que não fosse acender incensos e uma boca do fogão que não funciona direito, e uns cinco reais em moedas. Pensou em comprar um refrigerante e um salgado na lanchonete da esquina, mas tinha muito homem mal encarado. Enfiou tudo de volta no bolso e pisou fundo, decidida a seguir caminho. O plat plat do seu sapato na calçada da rua irritava seu ouvido. Faltava um som ali.
Plat plat plat plat. Should be. E atravessou a rua. Sem ouvir outros passos ao seu lado. Porque não havia ninguém ao seu lado. O verão tava lindo no céu, no ar. Calor batendo seu rosto, um vento bem leve tocando a pele. E o plat plat, sozinho, atravessando a cidade inteira. Enquanto ela queria falar da vida, contar do dia, e segurar a mão, do plat plat ausente naquela manhã.


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