sábado, 8 de outubro de 2011

Eu não sei falar de amor.

Quando for pra falar de amor, não me chame. Cheguei a conclusão essa manhã, quando tomava meu primeiro gole de café do dia. Meio amargo, meio sem graça, mas bem quente. Quente de quase queimar a língua. De escorrer pela garganta e aquecer tudo por dentro. Eu precisava, sabe? Aquecer tudo por dentro.
Porque, aquecer por fora é simples, mas por dentro. Não há cobertor que aqueça. E notando o quão frio estava tudo por dentro, cheguei em tal conclusão, tão óbvia pra uns, que ri de mim após o segundo gole de café.

Eu não sei falar de amor. Enquanto tomava o terceiro gole e observava algumas formigas fazerem fileira no açucareiro. Não sei falar de amor porque talvez eu ainda não o tenha provado. Diferente do café, que, se você me pedir, faço um livro sobre tal. Assim como a coca-cola, algo essencial pra mim. Assim como ar. Eu saberia falar do ar. Mas não sei falar do amor. E não que eu não conheça ou não sinta o amor. Eu sinto. Mas não por inteiro. Eu não sei falar desse amor inquestionável e incomparável, amor que rende mil suspiros e não acaba nunca, amor que envolve ambas as partes e os une num aperto constante e fluente. Meus amores são tortos. Tão tortos que mancam. Quase sempre tropeçam e a maioria caí. Meus amores são tão estranhos e difíceis que não se levantam fácil, e quando levantam, curvam-se, rendem-se, e vão embora. Meus amores são meio racionais demais, e amor não foi feito pra isso.

Talvez esse seja o erro, pensei, obscuro feito o café. Eu penso. Eu penso demais. Eu penso constantemente. Eu crio teorias. Eu imagino coisas. Eu apego-me as minhas idéias, nunca aos meus ideais. Não tenho ideais. Tenho ideias. Vontades momentâneas. Talvez o erro seja eu, então? Não. Nem sempre.
Mas eu não sei falar de amor. Voltando a minha linha de pensamento inicial. Não sei falar de amor porque eu falo de relacionamentos. Eu falo de erros. Eu falo de dores. Eu falo de dois. De par. Não sei falar de impar. Droga. Talvez eu não saiba ser impar. Ser eu primeiro, sozinho, pra depois ser impar com outro alguém. Impar, pois matemática não funciona no amor, é. Um mais um é igual a um.

Eu posso aprender a falar de amor, e a amar. Mas não quero amar sozinho.

Rhaissa Neiva Ramon
(And, penguin, don't worry baby, I love you more than you will ever know.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário