segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Talvez a pessoa certa

Perdi o ônibus e de repente to perdendo o tempo passar. Perdi o dinheiro no caminho e to perdendo o chão pra andar. Perdi o vento no rosto e to perdendo o Sol da manhã. Perdi o controle da televisão, as pilhas da câmera digital, o carregador do celular. Perdi meu emprego e to perdendo o bimestre escolar. Perdi minhas notas de cinquenta e minhas moedas de um real. Aquelas, aquelas que eu acho bonitas de olhar. Perdi a passagem e ja to perdendo o lugar. Perdi alguns costumes pelo caminho e alguns hábitos que... ainda bem, você me fez esquecer de onde deixei. Quem é você que me faz perder a vontade de fumar? Quem é você que me faz perder a vontade de dançar por horas numa balada sem parar? Quem é você que me faz perder o onibus enquanto penso em... Quem é você? Quem é você que me faz perder as respostas que eu sempre costumei guardar na ponta da lingua? Quem é você que me faz perder a vontade de discutir, e me da vontade de ficar só olhando você argumentar, contagiante. E... quem é você que me fez perder o resto do texto?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A tragédia de si

Tudo acontece quando você de repente se parte em pedaços. E com seus olhos caídos no chão, um em cada canto do quarto, você vê seu corpo despedaçado. Seu coração, logo ali no meio de partes de seus dedos e braços, ainda bate. O sangue tá em toda parte e o cérebro, amigo, o cérebro desapareceu. Você não sabe em qual parte de seu corpo você está, já que você agora é vários pedaços de si pelo chão. Você se sente em todas as partes, mas você não pode fazer nada com elas. Imóvel. Jogado. Despedaçado. Inútil. Amando.  É, chapa, amando.