sábado, 28 de janeiro de 2012

Cada macaco no seu galho.

De estar me perdendo. De estar te perdendo. De estar perdendo tudo em todos os cantos do quarto. De estar perdendo todos os jogos e apostas. De estar perdendo amigos. Perdendo respostas. Perdendo a hora. Perdendo o lugar. Por eu estar perdendo o lugar no mundo e tentando incansavelmente encontrá-lo. Perdendo a linha, a estação. Perdendo tua voz no telefone. “O que você disse?”. Perdendo a paciência. “Deixa pra lá”. Perdendo a ré. Não dá pra voltar. Por estar me perdendo e querendo achar. Por perder a causa e o silêncio. Não lembrar o que ia falar. Supostamente satisfeita então? Talvez sim, talvez não. Talvez um gato em cima do muro, talvez um muro desabado no chão. Sem miado. Sem gato. Sem opinião. Talvez o mundo todo caindo aos pedaços, despedaçando, quebrando galho por galho e cada um no seu. Eu no meu, você no teu, outras árvores de outras cidades e o mundo caindo ao redor. Assim como o gato que não miou, não pulou do muro, não decidiu o lado ao qual desejava ir. Não desejava nada, só ficar em cima do muro. E você vai ficar ai? No galho, na arvore, na cidade? E eu aqui. De estar perdendo tempo. Por não decidir se vai ou se fica. Por não saber o que quer. Olhar outros macacos em outros galhos.  

Um comentário:

  1. Cara, amei esse teu texto. Tão cheio de detalhes e cada palavra se completa, uma com a outra! Continua assim sério.

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