domingo, 16 de setembro de 2012

Silêncio no meu rock!


Eu lembro que cansei duas ou três vezes por semana de te explicar que sou IN, não OUT. Que eu não sinto necessidade de me comunicar quando estou dentro da minha casa. Que eu gosto do silêncio tanto quanto eu gosto de ouvir sua voz, mas que a sua voz deveria dar espaço pro meu silêncio.

Eu deixo o barulho do ventilador e da minha digitação ocuparem o quarto por horas sem me importar. Não ligo pra silêncios quase eternos. Eu gosto da falta de diálogo durante um breve olhar.

Você podia chegar em casa, me abraçar forte, deitar na cama e calar a boca. Eu não ligo de não saber dos seus dias todos os dias. Eu tenho os meus pra viver, você os seus e a gente fica muito bem assim. Cada um na sua, juntos.

E você acha que eu não sei que quando namorávamos eu era bem mais legal, bonita, sensível, grata, meiga, mas você me via duas ou três vezes por semana, não joga a culpa em mim. Veste essa cueca que eu não te quero hoje. Se cobre porque tá frio e eu não tô afim de dormir de conchinha. E, por favor, não me traga café da manhã na cama, comer logo cedo me mata de desgosto.

Eu não quero rosas... Eu quero longas e cansativas noites de rock’n roll.



Rhaissa Ramon






sábado, 15 de setembro de 2012

Ainda é cedo



E se você, sem querer, se apaixona? Se, de repente, encontrar-se  trocando mensagens carinhosas com outra pessoa? E se, num dia triste, uma mensagem de outro número que não o meu, te fizer sorrir? E se, depois de um dia cansativo, tudo que você inesperadamente precisar é de uma conversa, mesmo que boba, com essa tal pessoa? E se estar comigo for bom, mas estar com ela, de repente, tornar-se melhor? E se, pela manhã, você pegar-se enviando torpedo escrito “Bom dia!”, daquele jeito que você enviava pra mim, pra alguém que, definitivamente, não sou eu?

E se você, no meio do restaurante, esperando sua comida chegar, decidir desligar a ligação comigo, pra trocar mensagens com ela? E, ainda, ficar com um sorriso bobo no rosto?
...

Por favor, me diga... E se?

(Rhaissa Ramon, Sábado, 15 de Setembro de 2012.)



"Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei
Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém
Ela me disse: - Eu não sei mais o que eu
sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê.
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo."
(Legião Urbana - Ainda é cedo)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

(De um pro outro)

Tu me olhou como se eu soubesse de nada. E eu cabisbaixo, deitado do teu lado, sentindo frio, querendo morrer.

- Vai tomar um banho... aproveita e toma um pouco de água com sabão pra ver se a boca fica mais limpa.
- Só porque te mandei tomar no cu? Tu já toma no cu, não sei porque leva isso como ofensa.

Ai tu se calou, como se eu tivesse lhe ofendido pra toda a vida. E eu, revoltado, me levantei, me vesti e fui embora.

Eu nunca achei que minhas últimas palavras pra você seriam essas. Não leva a mal, bonito, eu gosto que tu seja assim, eu gosto que tu me deixe te fazer feliz com as coisas que tu curte.
Quase te enviei cartas, quase te escrevi poesia, e quase me encontrei caído na mesa do bar, mas não se ache não. Não sinto falta do teu cheiro nem desse teu jeito de mulher. Eu gosto de homem, nego. Eu gosto de homem que gosta de mim, principalmente.

Se ao menos tu tirasse essa tua expressão de sonso, de sono, de cansado, de cansaço, de descaso, da tua cara. Lembra quando tu me falou?

"Sei lá, talvez eu não te goste mais."

Mas continuou vindo na minha casa quase toda noite, tirando a roupa e pedindo pra eu te tratar com jeito?
Vira homem, cabra.

Cansei de olhar tuas costas e contar os segundos no relógio da parede.


Não olhe demais

Estou feliz, mas quero tudo logo. Quero tatuagens novas e roupas mais bonitas.
Não consigo olhar pra tela enquanto escrevo. Não consigo olhar o teclado enquanto escrevo, não gosto de ver minhas palavras formadas no computador. Enviarei esse texto sem olhar, sem ler. Espero que não hajam muitos erros gramaticais. Porque no fim das contas é disso que se trata a vida. Um passo atrás do outro sem perceber, sem parar e refletir sobre os erros bobos que ficam pelo caminho. No final eis a questão: é legível ou não?
Quero tudo agora. Quero idade suficiente e dinheiro no bolso. Quero por você na garupa da moto e dirigir pra bem longe daqui. Entrar num chalé perto da praia, te jogar na cama, e ficar conversando sobre a vida por horas. Sem nem perceber se estou conjugando certo todos os verbos ou não. No fundo, ele tem razão, a gramática não importa tanto assim, o que importa é a intenção: mas só se ela for boa.
Continuo sem ler o texto, será que ele tá bom? Será que deixei o caps lock ligado? Eis outra questão.
É só isso que me resta, escrever como se não houvesse amanhã. Porque só nesse lugar que sei ser solta, que sei seguir o fluxo.
Mas como assim? Se o que eu mais faço é cometer erros. Falo demais, penso demais, brigo demais, discuto demais e... meu deus do... tenho perdido a paciência demais. Perdido a paciência com pessoas que não merecem minha impaciencia, que não merecem minha paciência, que não merecem-me, que não merecem nada. Quantos erros já cometi até aqui? Não só no texto... na vida? Me desculpe, gramática... e vida.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Fecha a janela.


Não me deixa, fica aqui juntinho. Bota um som baixinho pra tocar. Abre bem pouco a janela... não, esquece, deixa fechada mesmo, gosto da saudade que me dá de ver teu rosto enquanto te beijo.
Larga mão dessa cerveja e vem pra cama, já tá quase de manhã e você ainda tá aí lendo essas notícias. Deita e relaxa que daqui a pouco eu ligo a tv, a gente assiste o noticiário matutino enquanto eu faço um leite com nescau pra você tomar.
Não vai mais cedo pro trabalho amanhã, enrola um pouco comigo deitada na rede depois do almoço, ou vem antes que eu te faço o jantar. Quero tanto acender umas velas e abrir um vinho com você. Por que você me deixa tão solta? Não me deixa, fica aqui juntinho.