sexta-feira, 7 de setembro de 2012

(De um pro outro)

Tu me olhou como se eu soubesse de nada. E eu cabisbaixo, deitado do teu lado, sentindo frio, querendo morrer.

- Vai tomar um banho... aproveita e toma um pouco de água com sabão pra ver se a boca fica mais limpa.
- Só porque te mandei tomar no cu? Tu já toma no cu, não sei porque leva isso como ofensa.

Ai tu se calou, como se eu tivesse lhe ofendido pra toda a vida. E eu, revoltado, me levantei, me vesti e fui embora.

Eu nunca achei que minhas últimas palavras pra você seriam essas. Não leva a mal, bonito, eu gosto que tu seja assim, eu gosto que tu me deixe te fazer feliz com as coisas que tu curte.
Quase te enviei cartas, quase te escrevi poesia, e quase me encontrei caído na mesa do bar, mas não se ache não. Não sinto falta do teu cheiro nem desse teu jeito de mulher. Eu gosto de homem, nego. Eu gosto de homem que gosta de mim, principalmente.

Se ao menos tu tirasse essa tua expressão de sonso, de sono, de cansado, de cansaço, de descaso, da tua cara. Lembra quando tu me falou?

"Sei lá, talvez eu não te goste mais."

Mas continuou vindo na minha casa quase toda noite, tirando a roupa e pedindo pra eu te tratar com jeito?
Vira homem, cabra.

Cansei de olhar tuas costas e contar os segundos no relógio da parede.


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